BTG Pactual avalia possível aumento do poder da cia na Braskem e mantém cautela

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São Paulo, 16 de dezembro de 2025 – O BTG Pactual analisou a participação da Petrobras natransação da Novonor (ex-Odebrecht) na Braskem. Na segunda-feira (15), a Braskem informou que aNovonor assinou um acordo de exclusividade de 60 dias com a gestora de investimentos IG4 Capitalpara a venda de sua participação na empresa petroquímica.

O BTG Pactual destaca que, de acordo com informações divulgadas sobre a potencial transação naBraskem, a Petrobras e a Shine FIDC serão co-controladoras da Braskem. As especulações indicamque a Petrobras seria responsável por eleger o presidente do conselho da Braskem e pelasoperações (elegendo os diretores industriais e de operações), enquanto a IG4 será responsávelpor nomear o CEO e o CFO. Com um novo acordo de acionistas previsto para ser apresentado após aaprovação antitruste, a Petrobras e a IG4 terão cada uma 4 assentos no conselho deadministração da Braskem.

“Hoje, a Braskem deu início ao que consideramos o começo de um potencial processo derecuperação, com a empresa divulgando que recebeu cartas da Novonor e da Shine I FIDC (gerenciadapela Vórtx e assessorada pela IG4) informando que a FIDC assinou um acordo definitivo vinculativocom os bancos credores da Novonor para adquirir todos os créditos contra a Novonor por meio degarantias fiduciárias sobre as ações da Braskem. O acordo, segundo informações divulgadas,seria irrevogável”, explica o BTG.

O banco afirma que tem mantido uma visão mais cautelosa sobre a Braskem, pois a persistentecompressão do spread combinada com o aumento das despesas financeiras está pressionando ageração de caixa. “Embora acreditemos que os resultados possam melhorar devido a incentivosfiscais, o que poderia auxiliar o processo de recuperação, mantemos nossa abordagem cautelosa,considerando um caminho incerto pela frente, com a possibilidade de diluição para os acionistasminoritários.”

Em relação ao aumento do poder da Petrobras na Braskem caso as especulações se confirmem, o BTGlembra que ainda há um longo caminho a percorrer. “Notícias também sugerem que um processo dereestruturação na Braskem pode levar até cinco anos – e acreditamos que a estrutura acionáriarenovada pode acelerar o processo.”

O banco avalia que, nesse processo, existem alguns resultados possíveis que são importantes paraos acionistas minoritários. Em meio à alta alavancagem, a Braskem pode passar por uma conversãode dívida em ações, o que poderia diluir a participação dos minoritários. Também pode haveruma chance de redução da dívida, enquanto notícias indicam que uma injeção de capital nãoestá em menção por enquanto.

“Acreditamos que o resultado (e a potencial diluição, se houver) permanece incerto, o que sustentanossa visão cautelosa”, conclui o BTG.

O BTG Pactual tem recomendação neutra em Braskem (BRKM5) com preço-alvo de R$ 11.

Entenda o acordo

Pelo acordo, a Novonor se comprometeu a transferir sua participação para o fundo Shine I Fundo deInvestimento em Direitos Creditórios (FIDC) de Responsabilidade Limitad gerido pela Vórtx CapitalGestora de Recursos Ltda. e assessorado pela IG4, que passará a deter 50,111% do capital votante ou seja, das ações que dão direito a voto nas decisões da empresa e 34,323% do capital total dapetroquímica.

O acordo negocia uma potencial transação envolvendo ações dadas em garantia para empréstimosbancários e créditos garantidos, com termos definitivos a serem estruturados, documentados esubmetidos à aprovação antitruste. Após a conclusão da estrutura, a Shine se tornará detentorade ações da Braskem representando 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total, enquanto aNovonor manterá ações preferenciais equivalentes a 4%, sem direitos de governança.

De acordo com o comunicado, a IG4 passará a dividir o controle da Braskem com a Petrobras, que hojeé o segundo maior acionista da companhia. Após a conclusão da operação, a Shine se tornarádetentora de ações da Braskem representando 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total,enquanto a Novonor manterá ações preferenciais equivalentes a 4%, sem direitos de governança.

A Petrobras detém 47,0% do capital votante e 36,1% do capital total da Braskem, e a Novonor, 50,1%e 38,3%, respectivamente. Conforme regras previstas no acordo de acionistas vigente da Braskem, aPetrobras tem os direitos de preferência e de tag along, aplicáveis em determinadas hipóteses detransferência das ações detidas pela NSP Inv. na Braskem.

A Petrobras divulgou comunicado após a IG4 anunciar um acordo para assumir a participação daNovonor na Braskem, e disse que irá acompanhar os desdobramentos e avaliar termos condições paradecidir sobre eventual exercício dos direitos. A companhia afirmou também que avalia aelaboração de um novo acordo de acionistas, tendo emvista as tratativas em curso.

O mecanismo de tag along garante proteção no caso de uma mudança de controle acionário. Osdireitos da Petrobras à preferência e tag along estão previstos no acordo de acionistas vigenteda Braskem.

Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)

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