Repórter mserrain@dcomercio.com.br
?INTERAJA COM SEUS CLIENTES
Com foco nas classes C, D e E, a agência de viagens Vai Voando tem 500 pontos de venda espalhados pelo país. Mas, é por meio das mídias sociais que 70% dos potenciais clientes que fecham negócios tomam conhecimento da empresa ou de alguma promoção.
Justamente por estar presente em muitas comunidades, a maior parte dos investimentos da Vai Voando é focada em panfletagem e carros de som, de acordo com seu diretor, Luiz Andreza.
Para ter uma ideia, o valor mensal gasto com redes sociais se resume a R$ 2 mil –seis vezes menos que o investido em panfletagem.
No entanto, uma pesquisa feita pela empresa mostrou que apenas 11% das vendas provêm dessa divulgação.
Com esse resultado em mãos, Andreza decidiu explorar as redes sociais ao máximo experimentando novas ações, como as transmissões ao vivo.
Também impactados pela baixa entrega do Facebook, a empresa criou uma espécie de jogo de conhecimentos gerais focado em turismo - o Se não sabe, chuta.
Na última semana, por exemplo, a pergunta feita aos seguidores foi: "Onde foi realizada a primeira missa no Brasil?"
A resposta é sempre divulgada ao vivo na página da Vai Voando, com sorteios, como cupons de desconto em compras de passagens para quem acerta a resposta e acompanha a transmissão.
*FOTO: Thinkstock e divulgação
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Desde 2015, o saldo entre demissões e os empregos formais gerados se mantém no negativo. Em uma avaliação nacional, o Ministério do Trabalho informa que 95,8% das vagas geradas em abril procedem de cidades distantes das capitais.
LEIA MAIS: Número de empregos formais fica estável no Estado de São Paulo
Neste mesmo período, o Estado de São Paulo foi responsável pela criação líquida de pouco mais de 30 mil empregos.
Desses novos postos de trabalho, 25 mil foram registrados no interior -número quase cinco vezes maior que os cinco mil da região metropolitana. O setor de serviços liderou a abertura de vagas, seguido da agropecuária.
Com tudo isso, seria óbvio afirmar que o interior paulista ganhou uma dinâmica própria para se recuperar do desemprego e reverter os efeitos da crise.
Mas, a verdade é que tantos dados constroem um verdadeiro quebra-cabeça que ainda está longe de poder ser montado.
Embora os números aparentem ser positivos, Luciano Nakabashi, especialista em mercado de trabalho do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA/USP), avalia que a retomada do emprego deverá ocorrer somente a partir de 2019 ou 2020.
Nakabashi diz que as regiões mais ligadas às exportações e ao setor sucroalcooleiro tiveram os efeitos negativos parcialmente compensados devido à melhora no preço internacional do açúcar e do etanol e também à depreciação do Real. "Mas, ainda não dá para comemorar", afirma.
A indústria é o setor que irá se recuperar com maior lentidão, devido ao excessivo foco no mercado interno, de acordo com o especialista.
EFEITO SAZONAL
Analisando a lista das cidades que mais geraram empregos com carteira assinada no primeiro trimestre de 2017, em todo o país, Franca, a 400 quilômetros de São Paulo aparece em primeiro lugar.
Foram 390 demissões contra 4.685 novas vagas nos três primeiros meses do ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A maior parte delas na indústria calçadista, que gerou 4.395 novos postos.
Além disso, de acordo com José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), a média salarial da indústria calçadista é baixa. Um trabalhador na cidade recebe cerca de R$ 1,3 mil.
Com a retomada dos pedidos, especialmente de exportação, os patrões voltam a contratar.
"E então, resulta nesse número bonito e fica parecendo que estamos numa situação muito confortável", diz.
Das dez profissões que mais contrataram na cidade no período, nove têm ligação direta com a linha de produção dos calçados.
Dorival Mourão Filho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Franca (ACIF) avalia esses resultados com certo receio.
Seu argumento é que as fábricas de calçados têm fechado postos de trabalho sistematicamente nos últimos anos, nos meses de novembro e dezembro, quando o volume de produção é reduzido.
Ainda assim, houve avanços. No primeiro quadrimestre de 2015, por exemplo, havia um déficit de 5 mil vagas em Franca.
Já em 2016, o saldo do mesmo período foi de 674 novas vagas - uma grande recuperação justificada pelo aumento da exportação de calçados nos primeiros meses do ano.
Para entender isso há também outro possível fenômeno: o surgimento de um novo polo de moda íntima na cidade.
"A baixa empregabilidade fez com que surgissem muitas pequenas confecções especializadas", diz o presidente da ACIF.
De acordo com Mourão Filho, o forte desemprego de 2015 foi responsável pelo maior índice de abertura de micro e pequenas empresas em Franca, que hoje representam 94% do universo de empresas.
O engenheiro-agrônomo Alex Rodrigues Kobal, 46 anos, proprietário de uma empresa de dedetização e controle de pragas, é um dos empresários do setor de serviços que abriu novas vagas neste ano.
Com um fluxo de clientes estável nos últimos três anos, Kobal conseguiu renovar todos os contratos anteriores sem aplicar a correção do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e precisou de reforço na equipe.
RIO PRETO, PIRACICABA E BAURU
Outros destaques do Caged foram as cidades paulistas de São José do Rio Preto (958), Bauru (398) e Piracicaba (482).
A nona posição no ranking estadual de formalização de empresas diz muito sobre a leve retomada na criação de empregos em Bauru, a 330 quilômetros de São Paulo.
No primeiro trimestre deste ano, cerca de dois mil novos microempreendedores individuais (MEIs) foram cadastrados pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico do município.
A secretária municipal Aline Fogolin diz que o setor de serviços ganhou sustentação em meio à crise à medida em que uma parcela dos desempregados decidiu empreender.
Wagner Ismanhoto, economista do Instituto Toledo de Ensino de Bauru, também acredita que por estar vinculado a demandas básicas, serviços são o último ítem cortado do orçamento.
Para Ismanhoto, a diferença de desempenho entre capital e cidades do interior pode ser parcialmente explicada pelo fato de a região metropolitana concentrar segmentos da economia que ainda estão sendo penalizados pela crise, como é o caso do ramo automotivo.
“Por se tratar de um bem de valor elevado, a retomada ainda é muito lenta. Os consumidores, além de endividados, ainda não se sentem seguros em assumir compromissos financeiros de longo prazo”.
Responsável pelo processo seletivo de mais de 300 indústrias nas regiões de São José dos Campos, Piracicaba, Atibaia e São José do Rio Preto, a Consult Interior RH abriu um novo leque de atuação em 2016 - a captação de funcionários para o varejo.
Pouco antes do segundo semestre começar, a consultoria começou a ser procurada por lojistas com o objetivo de tornar seus colaboradores mais engajados.
Mesmo sem experiência na área, Ronan Silveira, diretor de planejamento da Consulting, se reuniu com alguns empresários para tentar entender o que cada um buscava.
A resposta foi unânime. Eles queriam diminuir a rotatividade de contratos para reduzir custos.
"Percebi que essa (rotatividade) é uma característica forte do segmento".
Hoje, a fatia de clientes varejistas atendidos pela consultoria já representa 30% dos clientes.
De acordo com Silveira, esse resultado reflete o período de transição da indústria, que atualmente, está em baixa.
Enquanto a produção física não apontar para cima, o emprego, que é o último a se recuperar, ainda viverá esse período de altos e baixos, segundo o consultor.
"A base de comparação é que é muito fraca e as notícias são muito ruins", diz. "Claro que qualquer mínimo avanço é comemorado, mas, não há um setor que esteja indo bem".
FOTOS: Estadão Conteúdo e divulgação
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Os dados divulgados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) fazem parte da pesquisa de conjuntura econômica do setor de alimentação fora do lar.
Após um ano registrando quedas de rentabilidade, o primeiro trimestre acumula resultados mais animadores para quem empreende na área. O ticket médio, por exemplo, cresceu 8% no período.
O percentual de empresas com rentabilidade acima de 10% subiu um ponto em 2017 e atinge 18% dos empresários consultados. Já a fatia de quem opera com prejuízo caiu de 33% no quarto trimestre de 2016 para 31% nos três primeiros meses do ano.
Embora o cenário pareça negativo, Paulo Solmucci Junior, presidente da Abrasel, argumenta que os resultados da pesquisa divulgada mostram que o pior já ficou para trás.
As últimas medições mostram alguns indícios de melhora, principalmente em rentabilidade e faturamento. No terceiro trimestre de 2016, por exemplo, 40% das lojas do ramo trabalhavam com o caixa no vermelho.
A leve recuperação indicada pelo executivo pode ser justificada por dois fatores. O primeiro é o número de restaurantes que fecharam as portas. Como estavam em uma situação ruim, essas companhias puxavam o desempenho do setor ainda mais para baixo.
A estimativa da entidade é de que 150 mil, ou seja, um a cada seis restaurantes no País tenha encerrado suas atividades em 2016.
Outro motivo citado por Solmucci é a desaceleração dos custos, que pararam de pressionar os empresários.
Mesmo assim, o setor ainda está longe de atingir o patamar de normalidade.
De acordo com Solmucci, só é possível dizer o mercado está em um nível considerado normal quando mais de 50% das empresas estão com rentabilidade acima de 10% e quando apenas 5% operam com prejuízo.
CUSTO X RECEITA
Em 2016, a rentabilidade de alguns negócios foi muito prejudicada pela dificuldade imposta pela crise. Ficou mais difícil conciliar os custos com a receita.
Houve um aumento muito grande nos custos fixos, como taxa de ocupação, salários, contas de água e luz, além da queda considerável no fluxo de clientes causada pelo desemprego e aumento da inflação.
Os dois fatores, somados a impossibilidade de aumentar os preços dos pratos, geraram uma queda acentuada na lucratividade de muitos restaurantes.
Embora não integre a porcentagem de empresas que trabalharam no vermelho no ano passado, a Patroni, rede de pizzarias com cerca de 170 restaurantes em operação registrou um aumento de apenas 5% no faturamento de 2016 em relação a 2015.
A rede segue a tendência de crescimento sugerida pela pesquisa de conjuntura da Abrasce. De acordo com Rubens Augusto, fundador da Patroni, o 1º trimestre de 2017 fechou com números positivos e em abril, houve aumento de 17% nas vendas.
A perspectiva para o consolidado é de um crescimento próximo a 12%, de acordo com o empresário.
*FOTO: Thinkstock
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