São Paulo, 20 de janeiro de 2025 – A Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira deBancos (Febraban) apontou que a carteira de crédito em dezembro deverá registrar alta de 1,7% ecom isso o resultado do saldo total no ano passado poderá registrar crescimento de 10,8%. Comoocorreu nos últimos anos, em 2024, o avanço da carteira será novamente liderado pelo crédito àspessoas físicas, que deverá registrar expansão de 11,9%, tendo sido um importante canal para oconsumo das famílias, com destaque para linhas de veículos e de crédito pessoal.
A carteira para pessoas jurídicas deve mostrar resultado mais modesto, mas ainda significativo, comalta de 9,1%, impulsionado pelos programas públicos criados ao longo do ano e pela sólidarecuperação da carteira com recursos livres, após o estresse enfrentado no ano anterior. Oresultado poderia ser ainda maior, se não fosse o expressivo crescimento do mercado de capitais,que tem suprido parte importante da necessidade de liquidez das empresas.
As projeções são feitas com base em dados consolidados dos principais bancos do país, querepresentam, a depender da carteira de crédito, de 42% a 88% do saldo total do Sistema FinanceiroNacional. O Banco Central divulgará a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito em 27de janeiro.
“Nossa pesquisa mostra que, em 2024, tivemos o sétimo ano de crescimento no estoque de crédito,retornando às altas de dois dígitos verificadas entre 2020 e 2022. Consolidamos um mercado decrédito com dimensão e profundidade importantes, além de já bastante sofisticado e desenvolvido.Para 2025, estimamos um crescimento um pouco menor, em torno de 9,0%, mas ainda próximo aos doisdígitos, o que é significativo, apesar do cenário econômico mais desafiador, caracterizado porum ambiente de juros em níveis mais elevados”, avaliou Isaac Sidney, presidente da Febraban.
“Sem dúvida, o setor bancário é um dos pilares fundamentais para manutenção do ritmo decrescimento do país e temos caminhado firmemente na Febraban para conscientizar os agentes e propormelhorias para o ambiente de crédito e atacar as principais causas do elevado spread no país, eassim continuaremos nessa toada”, ressaltou Isaac Sidney.
Concessões 2024
Em relação às concessões, o ano de 2024 deve apresentar volume 14,9% superior ao concedido noano anterior. A concessão de crédito às empresas deve fechar o ano com elevação de 16,9%,impulsionada pela retomada das operações com recursos livres.
Já as concessões para as famílias devem ter crescido 13,3% em 2024, em linha com a forteexpansão do consumo no ano.
“Em resumo, tanto o saldo quanto as concessões de crédito mostraram um expressivo avanço em 2024,sendo um vetor importante para a expansão da economia. Tal movimento pode ser atribuído à quedada taxa Selic no 1º semestre, à melhora dos índices de inadimplência, ao mercado de trabalhoaquecido e à normalização na carteira PJ com dissipação dos efeitos negativos decorrentes doscasos Americanas/Light/Oi em 2023”, avaliou Rubens Sardenberg, diretor de Economia da Febraban.
“Para 2025, as projeções do mercado de crédito sugerem alguma perda de ímpeto do segmento,diante da piora do cenário econômico. Contudo, caso a atividade e o mercado permaneçam fortese/ou haja alguma redução das incertezas no ambiente macro, especialmente em âmbito fiscal, épossível que tenhamos um novo ano com números bastante positivos no mercado de crédito”,complementou Sardenberg.
Resultados de dezembro
No último mês de 2024, a maior alta deve vir da carteira PJ Livre (+3,1%), impulsionada pelaslinhas de fluxo de caixa, beneficiadas pela sazonalidade positiva de fechamento de trimestre e pelascompras de fim de ano. Já a carteira Livre destinada às famílias, que deve ter crescimento de 1%,também é impulsionada pelas compras de dezembro, com impacto positivo no cartão à vista.
Por outro lado, as carteiras direcionadas devem apresentar crescimento de 1,5% no segmento PJ e de1,3% entre as famílias. Para as empresas, a carteira deve seguir impulsionada pelos financiamentosdo BNDES e pelos programas públicos, que seguiram com boa tração até o fim do ano. O crescimentoda carteira direcionada às famílias deve seguir especialmente sustentado pelo bom desempenho docrédito imobiliário.
Já as concessões de crédito devem apresentar crescimento de 9,5% em dezembro (ou 4,3% quandoajustado por dias úteis) ante novembro e de 6,2% ante dezembro de 2023.
No mês, a alta das concessões deve ser liderada pelas operações para as empresas, que devemsubir 7% (ante dez/23), com as operações com recursos livres impulsionadas pelas linhas maisrelacionadas ao forte desempenho do comércio/consumo no fim de ano (antecipação de recebíveis) epelas operações de linhas externas, impactadas pela depreciação do câmbio. Já as concessõesdas operações direcionadas devem se beneficiar da manutenção dos incentivos de programaspúblicos e financiamentos do BNDES.
As concessões às famílias, por sua vez, devem crescer 5,5% no mesmo comparativo, lideradastambém pelas linhas mais sensíveis às compras de fim de ano, como o cartão à vista.
O resultado indica que o volume acumulado em 12 meses de novas concessões seguiu em trajetória deaceleração no fechamento do ano.
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