São Paulo, 13 de janeiro de 2025 – O presidente libanês Joseph Aoun convocou Nawaf Salam,chefe do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), para assumir o cargo de primeiro-ministro após amaioria dos parlamentares votar a favor de sua nomeação. Essa decisão representa uma grandemudança no equilíbrio de poder entre as facções sectárias do Líbano, enfraquecendo ainfluência do grupo Hezbollah, que enfrenta críticas após conflitos com Israel e a queda de seualiado sírio Bashar al-Assad. Salam conquistou apoio de facções cristãs, drusas e deproeminentes parlamentares sunitas, incluindo opositores e aliados do Hezbollah, quetradicionalmente exigem o desarmamento do grupo.
O Hezbollah e seu grupo aliado xiita Amal não indicaram nenhum candidato, sinalizando apossibilidade de não participarem do governo de Salam. Mohammad Raad, deputado sênior doHezbollah, criticou a decisão, alegando que seus opositores buscam fragmentação e exclusãopolítica. Apesar disso, Raad afirmou que o grupo agirá com calma, mantendo o interesse nacionalcomo prioridade. A eleição do general Joseph Aoun como presidente na semana anterior, apoiado porEstados Unidos e Arábia Saudita, reforça a mudança no cenário político, marcando oressurgimento da influência saudita no Líbano.
A designação de Salam e a eleição de Aoun são passos importantes para reativar asinstituições governamentais libanesas, paralisadas por mais de dois anos devido à ausência de umpresidente e de um gabinete funcional. Salam enfrentará desafios como a reconstrução das áreasdevastadas pelos ataques israelenses, além da implementação de reformas econômicas urgentes pararesgatar o país da crise financeira que começou em 2019.
Embora a nomeação de Salam seja vista como um “sinal de reforma” por líderes cristãos esunitas, o Hezbollah acredita que houve um acordo político prévio para manter Najib Mikati nocargo de primeiro-ministro, o que teria motivado o grupo a apoiar a eleição de Joseph Aoun. Apercepção de quebra desse acordo aumentou as tensões, com parlamentares do Hezbollah adiando suareunião com o presidente Aoun, indicando seu descontentamento com o apoio a Salam.
Salam, que também é presidente do TIJ, tem experiência em negociações internacionais,incluindo sua atuação na implementação de um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel eHezbollah. Sua administração será crucial para garantir estabilidade política, reconstruçãoeconômica e coordenação com os parceiros estrangeiros que prometeram ajudar o Líbano em ummomento de profunda crise.
Com informações da Reuters.
Vanessa Zampronho / Safras News
Copyright 2025 – Grupo CMA