Dólar sobe com paralisação dos EUA no radar; Bolsa fecha estável

Uma image de notas de 20 reais

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SÃO PAULO, SP (FOHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,35%, cotado a R$ 5,292, nesta quarta-feira (12), após cinco pregões consecutivos de queda. O movimento reflete a busca dos investidores por segurança diante da expectativa de encerramento da paralisação do governo dos EUA.

Assim como no mercado doméstico, a moeda americana avançou no exterior, com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outras seis moedas, subindo 0,55%, a 99.498 pontos.

Já o Ibovespa registrou leve queda de 0,07% nesta quarta, fechando praticamente estável a 157.632 pontos, pressionado principalmente pelo recuo das ações da Petrobras.

O desempenho desta quarta vai na contramão do observado na véspera, quando a moeda americana atingiu seu menor valor desde junho de 2024. Contaminada pelo otimismo, a Bolsa encerrou a terça com um novo recorde de fechamento, de 157.748 pontos.

Os papéis da Petrobras pesaram sobre o pregão desta quarta e recuaram em virtude do temor de um excesso de oferta no setor petroleiro. As ações ordinárias da estatal caíram 2,99%, e as preferenciais, 2,53%.

A queda na valorização da estatal acompanha a do petróleo no exterior, onde os preços futuros do petróleo Brent caía quase 4%.

O movimento da commodity reflete um relatório da Opep, que apontou um pequeno superávit projetado para 2026, de 20 mil barris por dia (bpd) —uma mudança em relação à projeção anterior de déficit, que estimava queda de 50 mil bpd.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a queda da Bolsa também reflete uma realização de lucros, ou seja, a venda de ações para efetivar ganhos. O recuo vem após a Bolsa renovar o recorde histórico por 12 dias consecutivos.

“O Ibovespa e outros índices internacionais tiveram ganhos importantes nas últimas sessões, o que uma hora ou outra gera movimentos de ajuste com vendas e gestão de risco por parte dos investidores”, afirma.

Bernardo Viero, analista da Suno Research, concorda. “Em meio a ciclos, o mercado pode ter correções momentâneas de curto prazo após uma boa performance [da Bolsa]. Os resultados das empresas, porém, devem continuar puxando a Bolsa para cima”.

O movimento também impacta o dólar, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “A moeda americana tem um dia de ajuste. O movimento ocorre em meio à expectativa pela retomada dos indicadores econômicos dos Estados Unidos com o fim do shutdown, o que traz cautela aos mercados e leva investidores a reduzirem posições após a sequência de apreciação do real”.

No mercado internacional, os investidores acompanham a expectativa pelo fim da paralisação do governo dos EUA.

Na segunda-feira (10), o Senado dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei para reestabelecer o financiamento para agências federais. Com 60 votos favoráveis e 40 contrários, a Casa deu o primeiro passo para encerrar a maior paralisação da história do governo norte-americano, em curso desde 1º de outubro.

Para valer, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), controlada pelos republicanos, e receber a sanção do presidente americano, Donald Trump.

O presidente da Casa, Mike Johnson, afirmou que pretende aprová-lo até esta quarta-feira. Trump classificou o acordo para reabrir o governo como “muito bom”.

A medida prorroga o financiamento federal até 30 de janeiro, mantendo o governo no caminho de adicionar cerca de US$ 1,8 trilhão por ano à dívida pública, que já soma US$ 38 trilhões.

Para os mercados, o possível encerramento do shutdown guarda a promessa de normalização. A paralisação afetou a divulgação de dados econômicos essenciais para balizar as decisões de política monetária do banco central, como de inflação e de desemprego.

A falta de visibilidade sobre a temperatura da economia pode impedir a continuidade do ciclo de cortes de juros —possibilidade aventada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva após a reunião de outubro.

Segundo Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o fim do shutdown deve permitir aos investidores melhor compreenderem a economia dos EUA. “A paralisação prejudicou a coleta de informações econômicas pelas agências que estavam fechadas, e elas devem retomar a publicação do que for possível”, diz.

Fernanda Campolina, sócia da One Investimentos, afirma que a tendência é que, com o fim da paralisação, o Fed se sinta “mais confortável” para realizar novos cortes ainda em 2025, “o que favorece mercados emergentes como o Brasil”.

No caso do Brasil, há ainda mais um fator que favorece os ativos domésticos: o diferencial de juros. Quando a taxa nos Estados Unidos cai e a Selic permanece em patamares altos, investidores se valem da diferença de juros para apostar na estratégia de “carry trade”. Isto é: toma-se empréstimos a taxas baixas, como a americana, para investir em mercados de taxas altas, como o brasileiro.

Nesta quarta-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autarquia não apresentou em suas comunicações recentes nenhum sinal sobre o que fará com a taxa de juros no futuro, enfatizando que a política monetária seguirá dependente de dados.

“Todo mundo pode fazer a aposta que quiser, mas a gente vai continuar dizendo e fazendo as nossas reações de maneira bem clara, de que não há qualquer tipo de tergiversação sobre o que é o nosso mandato, que é perseguir a meta”, disse, durante entrevista coletiva em São Paulo.

Ele também reforçou que o Copom não está enviando sinais ao mercado sobre o rumo da taxa de juros nesta tarde.

A ata da última reunião do Copom, divulgada na terça, mostrou que o comitê está mais convicto de que a manutenção da taxa básica de juros do país em 15% por tempo “bastante prolongado” será suficiente para levar a inflação à meta.

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