Donald Trump anuncia investimento de US$ 500 bi para IA sem Musk, dólar sai do patamar dos R$ 6 e o que importa no mercado

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Donald Trump anuncia investimento de US$ 500 bilhões em estrutura para inteligência artificial, mas não chama Elon Musk, dólar sai do patamar dos R$ 6 e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (23).

**TRUMP DÁ FESTA DA IA E NÃO CONVIDA MUSK**

Donald Trump anunciou na terça-feira (21) uma parceria com o setor privado para um investimento de US$ 500 bilhões (quase R$ 3 trilhões) no desenvolvimento de infraestrutura de IA (inteligência artificial), em um projeto chamado Stargate.

Ele convidou alguns dos nomes mais importantes do mercado de tecnologia para participar da empreitada. Só esqueceu do seu novo melhor amigo, Elon Musk.

A LISTA

A parte dos investimentos será coordenada pelo SoftBank, enquanto a parte operacional será liderada pela OpenAI (dona do ChatGPT). O momento inicial envolve a construção de grandes centros de dados no estado americano do Texas. Nvidia, Oracle, MGX (fundo estatal de IA de Abu Dhabi), Arm e Microsoft também participam do projeto.

No anúncio na Casa Branca, estavam presentes Sam Altman (OpenAI), Masayoshi Son (SoftBank) e Larry Ellison (Oracle)

MUSK MAGOADO

No X, rede social de sua propriedade, Elon Musk manifestou descontentamento com as escolhas de Trump.

“Eles não têm dinheiro, na verdade”, disse Musk.

Em seguida, afirmou que sabia por fontes confiáveis que o SoftBank não teria mais do que US$ 10 bilhões para investir. Sam Altman, da OpenAI, rebateu, dizendo que esperava que Musk conseguisse colocar os EUA antes dos interesses de empresário.

Essa rusga é antiga. Musk foi co-fundador da OpenAI, mas saiu do conselho administrativo em 2018, depois de embates com Altman, atual CEO.

Mais uma sequência da…guerra comercial contra a China. Sabia que você iria adivinhar.

Um dos objetivos de Trump é vencer os chineses na corrida pelo domínio da tecnologia usada para o avanço da inteligência artificial.

Especialistas enxergam dois caminhos:

1 – Seguir a mesma linha de Joe Biden e dificultar a exportação da tecnologia avançada americana para a China, tentando segurar o desenvolvimento deles.

2 – Investir muito dinheiro em incentivos a empresas americanas, esperando que elas desenvolvam-se mais do que as chinesas.

Cenas dos próximos capítulos.

**DÓLAR (FINALMENTE) CAI**

O dólar despencou 1,40% e terminou o dia de ontem cotado a R$ 5,956. É a primeira vez que fecha um pregão abaixo dos R$ 6 desde dezembro, quando começou a sequência de disparadas.

O que aconteceu? A resposta é a mesma que demos para outras perguntas nesta newsletter nos últimos dias: Donald Trump.

Os investidores colocaram o pé no freio na compra de dólares e de ativos atrelados a ele por temores relacionados a promessas do republicano.

Na campanha, ele prometeu impor tarifas de importação a produtos da União Europeia, Canadá, México, e, sobretudo, da China.

POR QUE É UM PROBLEMA?

Se efetivadas, essas medidas atrapalham o fluxo do comércio internacional –que tem boa parte dele efetivado em dólar. A maior preocupação, no entanto, é com uma espécie de efeito de rebote desses planos.

Aumentar as tarifas para outros países pode elevar os preços no mercado interno, gerar inflação e, consequentemente, alta nos juros.

↳ Um exemplo: se uma fábrica americana depende de peças chinesas, pagará mais caro por isso. O aumento do custo gera alta nos preços, e assim em diante.

PELA CULATRA

A pauta econômica foi muito importante na campanha de Trump, que atraiu uma parte da população insatisfeita com o aumento dos preços nas prateleiras.

A inflação americana estava em cerca de 1,5%, em 2021. Os preços subiram muito depois disso, e nunca voltaram ao patamar anterior.

No fim de 2024, ela estava em 2,9%. Pode parecer pouco para nós, mas a inflação varia menos por lá do que por aqui.

É do Brasil. Os efeitos acumulados de uma taxa Selic alta podem estar ajudando o real na briga contra o dólar.

Quando as taxas estão altas por aqui, tornam-se atrativas para determinados investidores do exterior, e esse movimento aumenta a quantia de moeda estrangeira no país, explica o economista André Perfeito.

**O QUE É UM PONTINHO ROXO NO MEIO DA NEVE?**

Há uma pessoa otimista em Davos e ela é Felipe Vélez, CEO do Nubank.

O banqueiro acredita que a eleição de Trump nos EUA trará efeitos positivos para a instituição financeira. Sua fintech opera no mercado de criptomoedas, e este vem sendo chancelado pelo novo presidente, assunto do qual já falamos aqui na newsletter.

“Hoje somos a segunda plataforma de criptomoeda. A última coisa que faltava para o mercado de cripto era os EUA darem seu OK a essa indústria”, disse no Fórum Econômico Mundial.

Para ele, o Brasil sempre foi muito “pró-cripto” e “avançado”, mas o apoio de Trump muda o mercado a nível global. Pode gerar oportunidades de expansão internacional para quem já operava com o método (como o Nu).

IMPÁVIDO

As projeções da Selic elevada ao longo do ano não assustam o executivo, nem o medo do possível aumento da inadimplência dos clientes.

Segundo ele, as provisões do banco para a oferta de crédito estão baseadas em um cenário sempre pessimista.

De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, a taxa básica de juros brasileira deve terminar o ano em 15%, e, 2026, em 12,25%.

Dimensões:

– 100 milhões é o número de clientes do Nubank no Brasil atualmente, número que representa quase 60% da população adulta do país;

– 3 são os países em que a fintech opera: Brasil, México (10 milhões de clientes) e Colômbia (3 milhões de clientes).

DAQUI PARA FRENTE

Neste ano (que acaba de começar), o plano é focar na expansão da clientela no México, onde Vélez acha possível aproximar-se do feito do banco no Brasil.

Em 2024, o roxinho comprou uma participação na fintech sul-africana Tyme, que trabalha na África do Sul e nas Filipinas –semeando a expansão territorial.

Para conquistar mais espaço, o mercado avalia que o Nubank deveria mudar sua sede, hoje nas Ilhas Cayman, para um lugar que ofereça vantagens tributárias, mas também uma regulação mais reconhecida e estruturada.

Reportagens da Bloomberg e da Reuters noticiaram que o provável destino do Nu seria o Reino Unido, mas Vélez diz que há outras cartas na mesa.

**UM CRUZEIRO PARA CHAMAR DE SEU**

A temporada de cruzeiros movimentou 70 mil passageiros, mais do que um Maracanã, em 13 viagens temáticas –um aumento de 24% em relação ao ano passado.

SHOWS NO MAE

Segundo a PromoAção, empresa que traça os roteiros com atrações, a taxa média de ocupação das viagens é de 96%.

A companhia enxerga potencial no modelo que traz artistas para se apresentarem, ou, simplesmente participarem da viagem.

A parceira exclusiva da PromoAção é a MSC, e as duas planejam tornar esse tipo de roteiro permanente no cardápio de viagens anuais.

A MSC é a maior companhia marítima do mundo, segundo o ranking da Alphaliner. São mais de 800 navios, que representam 20% da capacidade global de executar viagens do tipo.

POR QUE IMPORTA?

Em 2023, o setor de cruzeiros movimentou a cifra recorde de US$ 168 bilhões (quase R$ 1 trilhão).

QUAL É A GRAÇA?

A viagem de cruzeiro (há quem ame, há quem odeie) tenta unir o conforto de uma hotelaria estilo resort com a possibilidade de conhecer mais de um destino em uma viagem só.

QUEM TOCOU?

Marisa Monte, Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Luan Santana, Alok, Capital Inicial, Jota Quest, É o Tchan e mais uma galera.

Na próxima temporada, estão programados navios com Chitãozinho e Xororó, Sorriso Maroto, Jorge & Mateus, Alexandre Pires e Belo.

Para os curiosos: a cabine mais cara em um desses cruzeiros custa cerca de R$ 2 mil, com bebidas alcóolicas e não alcoólicas à vontade e camarote para os shows.

PODE DAR RUIM

O navio Numanice, vendido como um roteiro com o show da cantora Ludmilla, gerou discussão nas redes sociais.

Já nos primeiros dias, tempestades atrapalharam a viagem e geraram o cancelamento dos shows de Filipe Ret e Belo, artistas que estavam na programação (e no preço) original.

A ausência de interação com Ludmilla e o preço do acesso à internet (cobrado à parte, custando entre R$ 600 e R$ 1000) também não ajudaram.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

MERCADO

Achar palito premiado da Kibon é mais difícil do que ganhar na Lotomania. Probabilidade de encontrar produto sorteado é de 1 em 198; serão distribuídos 50 mil picolés de R$ 9.

JAVIER MILEI

Milei diz que Argentina pode deixar Mercosul para fechar acordo com os EUA. Crítico do bloco, presidente da Argentina afirma que não espera ter de tomar medida drástica,

ALIMENTOS

Governo descarta mudança em data de validade de alimentos após críticas nas redes. Depois de recuar no monitoramento do Pix, gestão petista deixa para trás medida que também virou alvo da oposição,

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