São Paulo, 14 de janeiro de 2025 – Os preços dos contratos futuros do petróleo operam em quedanesta terça-feira, mas permaneceram próximos aos maiores níveis em quatro meses, com o impactodas novas sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo permanecendo como o principal foco domercado, antes da divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, previstapara 10h30 (horário de Brasília).
Os preços subiram 2% ontem após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impor sanções nasexta-feira contra a Gazprom Neft, Surgutneftegas e 183 embarcações que comercializam petróleocomo parte da chamada “frota fantasma” de petroleiros da Rússia.
“As manchetes sobre as sanções ao petróleo russo têm sido o principal motor dos preços dopetróleo na última semana e, combinadas com dados econômicos resilientes dos Estados Unidos, asdinâmicas mais apertadas de oferta e demanda têm mostrado algum impulso”, disse Yeap Jun Rong,estrategista de mercado da IG.
“Com os preços subindo de forma rápida e intensa, cerca de 10% desde o início do ano, isso leva aalguma realização de lucros, à medida que riscos de eventos relacionados à divulgação dosdados de inflação nos Estados Unidos se aproximam.”
O PPI dos Estados Unidos será divulgado ainda hoje, enquanto o índice de preços ao consumidor(CPI) será publicado amanhã.
Qualquer aumento na inflação subjacente superior à previsão de 0,2% amanhã pode fechar a portapara novos cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano)este ano.
Taxas de juros mais baixas geralmente ajudam a estimular o crescimento econômico, o que podeaumentar a demanda por petróleo.
“A recente alta para um nível máximo de três meses sinaliza uma melhoria no sentimento, mas,embora as pressões baixistas mais amplas tenham diminuído por enquanto, ainda é necessário umcatalisador mais forte para sustentar uma tendência de alta mais ampla”, acrescentou Yeap, da IG.Embora os analistas ainda esperem um impacto significativo nos preços devido às novas sançõessobre as exportações de petróleo russo, o impacto físico pode ser menor.
“Essas sanções têm o potencial de retirar até 700 mil barris por dia (b/d) do mercado, o queeliminaria o superávit que estamos prevendo para este ano”, disseram analistas do ING.”No entanto, a redução real nos fluxos provavelmente será menor, já que a Rússia e oscompradores encontrarão maneiras de contornar essas sanções claramente haverá mais pressãosobre embarcações não sancionadas dentro da frota sombra.”
A incerteza na demanda de um grande comprador, como a China, pode atenuar o impacto da oferta maisrestrita. As importações de petróleo bruto da China caíram em 2024 pela primeira vez em duasdécadas, excluindo o período da pandemia de COVID-19, segundo dados oficiais divulgados nasegunda-feira.
“Novas sanções aos petroleiros russos devem impactar o fornecimento de petróleo bruto para Chinae India, embora os principais atores nesses países ainda estejam avaliando a situação legal epossíveis alternativas”, disse Philip Jones-Lux, da Sparta Commodities.
Por volta de 9h28 (horário de Brasília), o preço do contrato do petróleo WTI negociado na Nymexcom entrega para fevereiro caía 0,24%, cotado a US$ 78,63 o barril. Já o preço do contrato doBrent negociado na plataforma ICE, com entrega para março caía 0,28%, cotado a US$ 80,78 o barril.
Erika Kamikava / Safras News
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