Grupo Mateus: "Devemos ter o melhor ano da história". Lucro líquido perto de R$ 1 bilhão em 9 meses

Uma image de notas de 20 reais
Grupo Mateus nasce a partir de uma mercearia no Maranhão, em 1986
Divulgação
  • Ilson Mateus, fundador e presidente do Conselho, diz que empresa busca um modelo de de atuação ideal para cada região. "A âncora do nosso negócio é a logística"
  • VP financeiro e diretor de Relações com Investidores, Tulio Queiroz, afirma que a companhia "está trabalhando na direção de fortalecer nossos controles"
Por Vitor Nuzzi

Na terça-feira (12), o Grupo Mateus – criado em 1986, como uma mercearia em Balsas (MA) – anunciou seus resultados do terceiro trimestre (3T24). E a leitura dos números mostra uma estratégia de crescimento baseada mais na eficácia (crescimento do lucro líquido + venda na mesma loja) do que na musculatura (forte ampliação da rede). A empresa reportou lucro líquido trimestral de R$ 379,2 milhões (+20,9% sobre igual período de 2023) e de R$ 946,9 milhões (+11,9%) no acumulado em nove meses. “A gente deve fechar [2024] com a maior expansão da nossa história”, disse o fundador e presidente do Conselho de Administração, Ilson Mateus. No ranking Cielo-SBVC das 300 Maiores do Varejo, liderado pelo Carrefour, o grupo maranhense é a sétimo maior do país em volume de vendas.

A receita líquida do grupo foi de R$ 8,3 bilhões no terceiro trimestre, com crescimento de 20,2% sobre igual período de 2023. De janeiro a setembro, atingiu R$ 23,4 bilhões, alta de 21,5%. As vendas mesmas lojas subiram 7,7% (trimestre) e 7,3% (nove meses) em relação a 2023. No atacarejo (88 lojas), o aumento foi de 5,4% (trimestre) e de 4,8% (nove meses). No varejo (76 lojas), de 2,9% (trimestre) e 4,4% (nove meses). Nas unidades Eletro (104), 4,2% (trimestre) e 5,9% (nove meses). O CEO da companhia, Jesuíno Martins, disse que o grupo vem aumentando eficiência e obtendo “diluição de despesas”. O número de funcionários variou de 57,4 mil (2023) para 59 mil (alta de 2,8%).

Não que o crescimento na rede não esteja ocorrendo também com novas unidades. Mas o ritmo está mais contido. O volume financeiro entre janeiro e setembro destinando a investimentos em ativos fixos foi de R$ 904,1 milhões, 2,6% acima de 2023. Mas as apostas mais pesadas ficaram no ano passado, quando foram abertos seis novos CDs contra um este ano. Em 2024, foram abertas 12 lojas (já são 268 no total) – oito atacarejos, três varejos e um da bandeira Eletro. Há um mês, foi inaugurada loja Mix (atacarejo-Eletro) em José Walter, “bairro muito adensado” de Fortaleza, segundo Ilson Mateus. “É uma loja que já nos surpreendeu na inauguração, com recorde de vendas.” Ele também destacou a abertura da loja Mateus Hiper no bairro Casa Forte, em Recife.

O VP de Operações e Logística, Sandro Oliveira, destacou as particularidades locais. “Nosso ganho de share está vindo meio de acordo com a estrutura de cada estado. Não tem uma receita de bolo muito bem formada para isso.” Já Ilson Mateus acrescentou que a empresa busca um modelo de negócio ideal para cada região, entre modalidades de atacarejo, varejo, minimercado, lojas especializadas e e-commerce. “A âncora do nosso negócio é a logística.” Apostas mais certeiras, que entreguem mais performance. O ciclo de caixa da empresa foi a 82 dias no trimestre, quatro a menos em relação a 2023. Esse é o período necessário para financiar a operação desde o pagamento aos fornecedores até as receitas dos clientes. O vice-presidente financeiro e diretor de Relações com Investidores, Tulio Queiroz, afirmou que a companhia “está trabalhando forte nessa direção, fortalecendo nossos controles”.

XP – O Ebitda somou R$ 684,5 milhões no trimestre (+33,5% sobre 2023) e foi a R$ 1,8 bilhão no ano (+24,7%). A margem Ebitda passou de 7,4% para 8,2% no trimestre e de 7,3% para 7,5% no acumulado de 2024. Para a XP, o Ebitda ajustado foi destaque do período, acima da expectativa, “devido à alavancagem operacional, à medida que a empresa continua a expandir rotas logísticas e ganhar eficiências em G&A [despesas gerais e administrativas]”. Mas ao mesmo tempo a varejista teve aumento da dívida líquida, que atingiu R$ 1,1 bilhão em setembro. Foi resultado, principalmente, “do maior investimento em estoque”, que levou a uma redução de caixa. A XP resumiu o desempenho do Grupo Mateus como de “forte crescimento, mas com queima de caixa”. O indicador de dívida líquida/Ebitda cresceu para 0,56x (0,44 há um ano).

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