São Paulo, 7 de janeiro de 2025 – Os analistas do Itaú BBA esperam que 2025 também seja um anodifícil para o investimento em ações, em Carta do Gestor enviada a clientes nesta terça-feira.Diante da expectativa de um juro médio no maior patamar das últimas duas décadas, do realdesvalorizado e das incertezas sobre o cenário fiscal do País, o ano que se inicia vai demandaruma habilidade ainda maior de ‘stock picking’, ou seja, da escolha de boas empresas para seinvestir.
“O ano de 2024 foi desafiador quando o assunto é investimento em ações, e o prognóstico para2025 precisamos ser transparentes não nos traz indicações de que será muito diferente”,escrevem Victor Natal e Mathias Dabdab.
Os analistas lembram que o Ibovespa encerrou 2024 com queda acumulada de 10,4%. “Quando analisamosos desempenhos mensais, foram oito meses no negativo e apenas quatro meses de ganhos. Dezembro foi osegundo pior mês com desvalorização de 4,3% , atrás apenas de janeiro, quando caiu 4,8%. Entreas empresas de menor capitalização, o prejuízo foi maior; o SMLL (Indice Small Caps da B3) perdeu24,2% no ano, enquanto o IDIV (Indice Dividendos da B3) recuou 2,6%.”
O investidor internacional retirou investimentos da Bolsa em nove dos 12 meses de 2024, resultandoem uma saída líquida de R$ 36 bilhões. O institucional seguiu pelo mesmo caminho, com retiradatotal de R$ 32 bilhões. A indústria de fundos de ações também sofreu; encolheu cerca de R$ 39bilhões no ano, contabilizando um patrimônio líquido de R$ 589 bilhões ao fim de 2024.
Diante desse quatro, o Itaú BBA acredita que o humor deve seguir pesado neste 2025, com osinvestidores à espera de respostas para uma série de perguntas. “Em que patamar os jurosamericanos irão se estabilizar? A economia chinesa vai finalmente reagir aos pacotes de estímulodo governo local? Aqui no Brasil, teremos sinalizações de compromisso com o fiscal e controle datrajetória da dívida pública? Quais serão as consequências para a nossa economia de um governoTrump mais protecionista? Até onde irá a Selic? Com juros altos, as empresas conseguirão entregarcrescimento de lucros aos acionistas?”, lista.
“Diante de tanta incerteza pela frente, resta ao investidor optar pela racionalidade e pragmatismo.Respeito ao perfil de risco, diversificação e seleção criteriosa de ativos devem ser os mantraspara atravessar um ambiente macroeconômico que, potencialmente, deve melhorar apenas em 2026”,estimam os especialistas.
Pacote fiscal
A análise destaca que dezembro foi mais um mês negativo para o mercado de ações brasileiro, queatribui ao pacote fiscal e ao ambiente internacional. “Por aqui, o famigerado pacote de contençãode gastos, acompanhado da proposta de revisão do Imposto de Renda, foram apreciados no Congresso.Apesar de a revisão do IR ter sido postergada, o pacote de gastos ficou ainda mais magro durante atramitação e, com isso, vimos os juros e o dólar continuarem em tendência de alta. A Bolsa,diante desse cenário, caiu 4,3% no mês.”
“O ambiente internacional também não ajudou. Nos Estados Unidos, os juros longos subiram,refletindo a divulgação de dados de atividade econômica melhores do que o esperado. O mercado detrabalho continuou forte, mantendo os investidores atentos, já que indicam que o processo dedesinflação pode ser mais lento do que o previsto. Nesse sentido, embora o Federal Reserve (FED),o banco central norte-americano, tenha decidido cortar os juros em 25 pontos-base no dia 18 dedezembro, a autoridade monetária foi enfática ao expressar que deve adotar maior conservadorismonas próximas decisões.”
Trocas nas carteiras
Diante desse cenário, a Carta do Gestor do Itaú BBA aponta as seguintes mudanças nas carteiras:na Top 5, entra Suzano e sai Santander; na Dividendos, entra Klabin e sai Santander; e na SmallCaps, entram Alupar, SLC e Iguatemi; saem Tenda, C&A e Vivara.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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