Nove a cada dez consumidores brasileiros mudaram hábitos de compra em busca de preços menores, diz pesquisa da McKinsey

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Apesar do otimismo em relação à economia, consumidor segue em busca de menores preços
Crédito: Porapak Apichodilok/Pexels
  • Um terço dos brasileiros adota o compre agora-pague depois, quase o dobro da taxa em relação a EUA, México e as cinco maiores economias europeias
  • Apesar de uma visão mais otimista da economia, 31% dos consumidores migraram para produtos mais baratos
Por Bruna Galati

Uma boa notícia aos varejistas que, paradoxalmente, embute um enorme desafio. O brasileiro está mais otimista com as condições econômicas do país, o que costuma levar a um aumento no consumo. Ao mesmo tempo, quase nove em cada dez (87%) mudaram seus hábitos em busca de preços menores – e 55% serão infiéis na hora da compra se um concorrente tiver descontos ou preços mais atraentes. As conclusões fazem parte da pesquisa ConsumerWise – A 360º View of the Consumer, recém-divulgada pela McKinsey.

No terceiro trimestre de 2024, 38% dos consumidores expressaram confiança com o rumo da economia, alta de 5 pontos porcentuais em relação aos 33% registrados no segundo trimestre. Somados aos 43% que se declaram neutros, temos um respeitável contingente de quatro a cada cinco pessoas – os pessimistas somam 19%. “O mercado de trabalho está impulsionando aumentos salariais em todo o país, o que por sua vez impulsiona os gastos do consumidor”, afirmaram Bruno Furtado e Pedro Fernandes – respectivamente sócio sênior e sócio na McKinsey em São Paulo – na análise brasileira da pesquisa. “Mas a inflação continua a ser a principal preocupação.” A alta de preços é um temor para 50% dos consumidores, 7 pontos acima do registrado no segundo trimestre deste ano.

Não à toa o universo de consumidores atrás de melhores preços e condições cresceu. No terceiro trimestre, 31% deles migraram para produtos mais baratos, aumento de 7 pontos porcentuais em relação ao ano anterior. Além dos 55% que escolhem o local de compra pelo preço, 42% ajustaram o tamanho das embalagens para pagar menos, 32% adiaram as compras e 32% adotaram o modelo compre agora-pague depois. É quase o dobro da taxa em relação a Estados Unidos, México e as cinco maiores economias europeias. “Esse método ganha popularidade no Brasil, impulsionado pela crescente digitalização dos pagamentos”, afirmaram Furtado e Fernandes.

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A pesquisa também identificou variações nas intenções de gasto entre as gerações. Jovens até 24 anos, a Geração Z (nascidos entre 1997-2012), estão mais focados no consumo dos segmentos fitness e de móveis. Já quem está com 25 anos a 33 anos (Millennials: 1981-1996) planeja gastar com cruzeiros, reformas de imóveis e brinquedos, enquanto o público 60+ (Baby Boomers: 1946-1964) demonstra maior interesse em produtos de bem-estar. A Geração X (nascidos entre 1965-1980) não foi citada com uma propensão específica. A análise e o estudo da McKinsey estão neste link.

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