Produção deve cair 8 mi bpd em março por conta de Oriente Médio; impacto é parcialmente limitado por alta de produção fora da Opep+

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

São Paulo, 12 de março de 2026 – De acordo com o relatório mensal da Agência Internacionalde Energia (AIE), divulgado mais cedo, por conta do conflito no Oriente Médio e a interrupção noEstreito de Ormuz, a oferta global de petróleo deve cair em 8 milhões de barris de petróleo pordia (bpd) em março. Essa perda é limitada pelo aumento da produção por parte de países que nãofazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), comCazaquistão e Rússia. Ainda assim, a AIE prevê que a oferta de petróleo será 1,1 milhão de bpdsuperior em 2026.

A agência também estimou uma alta na demanda por petróleo em 640 mil bpd em 2026, uma quedade 210 mil bpd em relação à previsão do mês anterior.A AIE citou o acordo entre os membros da agência de disponibilizar 400 milhões de barris das suasreservas estratégicas, como forma de conter a escalada nos preços. Isso é uma fração dosestoques globais da commodity. Em janeiro, havia 8,21 bilhões de barris, sendo que 50% delespertenciam aos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). AChina detinha 15%, e havia 25% de barris em trânsito no oceano.

A liberação destes estoques, segundo a AIE, ajuda a amortecer o impacto, mas é uma medidatemporária. “O impacto final do conflito nos mercados de petróleo e gás e na economia em geraldependerá não apenas da intensidade dos ataques militares e de eventuais danos aos ativosenergéticos, mas também, crucialmente, da duração das interrupções no transporte marítimoatravés do Estreito de Ormuz. Mecanismos adequados de seguro e proteção física para o transportemarítimo são essenciais para a retomada dos fluxos, o que é de importância fundamental para omercado de petróleo”.

Os países do Oriente Médio produtores de petróleo vem reduzindo ou interrompendo a extraçãoda commodity, por falta de espaço de armazenamento. Grandes reduções de oferta são observadas noIraque, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

“As interrupções não se limitam à produção e exportações upstream, com váriasrefinarias e instalações de processamento de gás fechadas devido a ataques ou por preocupaçõesde segurança. O fechamento do Estreito de Ormuz também está forçando refinarias orientadas àexportação a reduzir atividade ou fechar completamente à medida que os tanques de armazenamentode produtos se enchem, com mais de 4 milhões de bpd de capacidade de refino em risco”, diz umtrecho do documento.

Há também o impacto na produção de GLP e nafta, além do querosene de aviação. “A fortequeda no fornecimento de GLP e nafta já está forçando plantas petroquímicas a reduzir aprodução de polímeros, agravando a perda dos fluxos petroquímicos do Golfo. O uso de GLP paracozinhar e aquecimento, especialmente na India e na África Oriental, também está em risco”.

Vanessa Zampronho / Safras News

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