7 pontos que explicam a ascensão e queda da FTX

Sam Bankman-Fried (na foto) fundou a corretora FTX em 2019 e entrou com um pedido de falência na última semana, quebrando o mercado de criptomoedas. Sua fortuna pessoal de US$ 16 bilhões foi eliminada

Mariana Missiaggia
16/Nov/2022
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7 pontos que explicam a ascensão e queda da FTX

Há poucos dias, a FTX, que já chegou a ser a segunda maior corretora de criptomoedas do mundo, entrou em decadência e pediu falência em um tribunal americano.

O comunicado para a imprensa divulgado pela empresa revela que Sam Bankman-Fried, CEO e fundador da FTX, renunciou ao cargo e “permanecerá para ajudar em uma transição ordeira para o novo diretor-executivo já nomeado, o advogado John J. Ray III".

A notícia chega logo após a FTX ter perdido um de seus grandes negócios. Depois de ter levantado quase US$ 2 bilhões desde 2019 e alcançar um valor de mercado estimado em US$ 32 bilhões em janeiro, a empresa negociava a venda de seu controle para a Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, e o primeiro investidor de Bankman-Fried.

Ocorre que dois dias antes do pedido de falência, a Binance avisou que estava desistindo do negócio. Agora que seu império está desmoronando, restam poucas opções para a FTX no setor. Veja como isso aconteceu:

1 - Bankman-Fried trabalhava no mercado de criptomoedas e entendia bem a dinâmica de bitcoins. O jovem enriqueceu porque entendeu o mercado e decidiu abrir a sua própria corretora de criptos – a FTX, cujo carro-chefe são derivativos de criptomoedas. Famoso, entrou para a lista de bilionários da Bloomberg em 2021, conquista creditada à rápida ascensão de sua corretora, fundada em 2019.

2 - Com o crescimento da FTX, Bankman-Fried passa a comandar uma das maiores casas de negociações de criptos – ficando atrás apenas da Binance, que é a maior do mundo e se tornou sua investidora em várias rodadas de investimento. O valuation da empresa foi de US$ 8 milhões em 2019 para US$ 32 bilhões em 2022.

3 - Formado em física pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o empresário também ganhou popularidade no meio cripto por fazer parte de um movimento chamado altruísmo efetivo, cuja bandeira é fazer o bem para o outro da maneira mais eficiente possível. E a forma que ele encontrou para beneficiar o próximo foi doar parte de sua fortuna para caridade e para políticos do Partido Democrata dos Estados Unidos.

4 - Em pouco tempo, a FTX explodiu e atraiu várias celebridades, como o ex-casal Tom Brady e Gisele Bundchen, que investiram milhões na casa de criptomoedas, se tornando sócios do negócio em 2021. A partir daí, Bankman-Fried fechou contratos milionários de patrocínio, como a Miami Heat Arena e Mercedes F1.

5 - A empresa começa a colapsar na última semana, quando a publicação de um balanço patrimonial da Alameda Research - braço da FTX - mostra vários problemas, principalmente de iliquidez. Quando a concorrente Binance percebe a fragilidade da FTX exposta, decide vender seus tokens emitidos pela corretora e dá início a uma confusão assustando todo o mercado com a influência que tem.

6 - Como resultado desse movimento, uma crise se instaurou, e os investidores intensificaram os saques, em um episódio equivalente a uma corrida bancária. O episódio derrubou os preços do ativo nativo da plataforma em 90% em pouco mais de uma semana. Com o saque em massa, a FTX se viu obrigada a travar a retirada, causando pânico geral.

7 - Bankman-Fried assume toda a culpa e anuncia que quer "consertar as coisas". Com todo esse rebuliço, o patrimônio líquido do jovem que já chegou próximo dos US$ 16 bilhões, despencou para quase zero. O episódio derrubou o mercado cripto – o Bitcoin (BTC) caiu para o menor valor de dois anos. Além disso, o caso deu ainda mais combustível para o debate sobre a regulamentação do mercado cripto. Nos Estados Unidos, diversos legisladores publicaram declarações expressando preocupação com a situação.

 

IMAGEM: Divulgação

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