A charada

A alta rejeição dos presidenciáveis naturais encoraja aqueles que esperam pelo surgimento de um novo Messias para salvar a Pátria

Eymar Mascaro
16/Nov/2015
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Se os índices de rejeição dos presidenciáveis Lula, Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckin e Marina Silva, ganharam as alturas, segundo o Ibope, -todos eles próximos aos 50% ou acima dele- é sinal de que o eleitorado está indignado com a classe política, devido à sequência de denúncias de corrupção no País, que começou envolvendo o PT e acabou atingindo os demais partidos, como PSDB e PMDB.

Apenas os três partidos, PT, PSDB e PMDB, elegem mais de 80% dos 6 mil prefeitos espalhados pelos estados, os 27 governadores e mais o governador do Distrito Federal e o presidente da República.

Pela pesquisa Ibope de 20 dias atrás, a rejeição maior é a de Lula, que bateu nos 55%, enquanto os índices de Aécio, Serra, Alckmin e Marina, oscilam entre 47% e 54%.

Portanto, se a eleição fosse hoje e os cinco pretendentes fossem os únicos candidatos ao Planalto, nenhum bidu seria capaz de advinhar quais seriam os dois candidatos que passariam para o 2º turno. Mais difícil ainda seria arriscar o nome do eleito.

A alta rejeição dos presidenciáveis naturais encoraja aqueles que esperam pelo surgimento de um novo Messias para salvar a Pátria; ou melhor, com o aparecimento de um candidato limpo que colocasse a casa em ordem sem meter no bolso dinheiro que não é seu.

Como eleição se ganha com voto e com uma forte estrutura partidária para tocar a campanha em frente, um novo Messias precisaria de tempo para se impor e se apresentar ao eleitor com cara nova.

Para isso, no entanto, precisaria se filiar ao partido em tempo hábil, porque a legislação eleitoral exige que o candidato tenha um tempo mínimo de filiação. Só assim poderia ser candidato, no caso, à presidência da República, em 2018. Serra costuma dizer que eleição não se ganha com trololó.

Não é fácil para um candidato sem uma reserva fixa de votos, mesmo que seja mínima, vencer uma eleição para a chefia de um cargo executivo apenas com o prestígio pessoal. A história está cheia de exemplos.

Vamos a alguns deles: 1-orgulho da Inglaterra: o então 1º Ministro Winston Churchil ganhou a guerra mas perdeu a eleição;

2- Rui Barbosa assombrou o mundo com sua inteligência e cultura, também era orgulho brasileiro, mas se candidatou à presidência da República duas ve\zes e perdeu ambas as eleições: a primeira, em 1910, para o marechal Hermes da Fonseca; e, a segunda, para o líder político na Paraíba, Epitácio Pessoa, em 1919.

Ultimamente, a imprensa tem divulgado que este ou aquele partido estaria interessado em lançar as candidaturas presidenciais do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, e do juíz Sérgio Moro, que preside a Operação Lava-Jato e que tem mandado para a cadeia políticos e empresários envolvidos em maracutaias.

Se um dos dois aceitasse o convite, seria oportuno que ingressasse com antecedência em um partido, de preferência com musculatura, para consolidar seu nome, sabendo que não teria êxito apenas com o prestígio pessoal.

Joaquim Barbosa presidiu o STF e foi o relator do Mensalão do PT, entusiasmando uma considerável parcela do eleitorado, ao condenar à prisão petistas da linha de frente do partido, como José Dirceu e José Genoíno.

Antes de se aposentar, porém, Barbosa presidiu a sessão do Supremo em que os ministros de recusaram em julgar outro Mensalão, o do PSDB.

Coube, então, a Joaquim Barbosa, encaminhar o Mensalão tucano à justiça de Minas, onde o processo está paralisado há mais de um ano. Detalhe: o Mensalão do PSDB é anterior ao Mensalão do PT.

O juiz Sérgio Moro caiu nas graças do eleitorado por conduzir com mão de ferro a Operação Lava-Jato,  que apura o envolvimento de empreiteiras e políticos (principalmente petistas|) no escândalo das propinas da Petrobrás.

Há dias, por exemplo, notícia que saiu da Lava-Jato ganhou destaque na imprensa porque descobriu que a empreiteira Odebrecht -que responde a vários crimes- doou para os Institutos Lula e Fernando Henrique Cardoso R$ 4 milhões e R$ 1 milhão, respectivamente.

A iniciativa de se lançar um "candidato-limpo" a um cargo executivo quase deu certo em 1986, quando o PTB convenceu o empresário nº 1 do Brasil, Antonio Ermírio de Moraes a se candidatar ao governo de São Paulo, para enfrentar Orestes Quércia, Paulo Maluf e Eduardo Suplicy.

O eleitorado emocionou dr. Antonio Ermírio com tantas juras de amor e promessa de fidelidade nas urnas, mas na hora de votar, elogiou Ermírio mas elegeu Quércia.
 

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