A Dinamarca é realmente um bom modelo?
O país combinou impostos elevados e fortes benefícios sociais com níveis sólidos de emprego e produtividade elevada

Um dos grandes momentos do recente debate presidencial do Partido Democrata, ao menos para aqueles de nós que acham que os EUA têm alguma coisa a aprender com outros países, foi a discussão sobre a Dinamarca.
O senador Bernie Sanders disse que gostaria que os EUA fossem mais parecidos com a Dinamarca, enquanto Hillary Clinton foi um tanto cética a esse respeito, mas concordou que o país escandinavo é um bom modelo. E é mesmo!
A Dinamarca combinou impostos elevados e fortes benefícios sociais (entre eles, educação superior gratuita, atenção à infância por meio de inúmeros subsídios etc.) com níveis sólidos de emprego e produtividade elevada. Essa combinação mostra que Estados com programas fortes de bem-estar social funcionam.
Porém, é bom notar que a Dinamarca tem passado por maus pedaços desde a crise financeira global de 2008. Depois de uma forte retração econômica, a recuperação que se seguiu foi muito frágil.
Na verdade, o PIB per capita local está bem abaixo dos níveis pré-crise, assim como na Espanha e em Portugal, embora com muito menos sofrimento. Então, o que está acontecendo?
A resposta, em parte, talvez se deva aos níveis elevados da dívida interna. Contudo, a Suécia também tem níveis de dívida interna elevados e ? apesar dos equívocos monetários cometidos ? se saiu bem melhor (veja o gráfico abaixo).
Minha interpretação é que a Dinamarca está pagando um preço alto por acompanhar o euro ? o país não faz parte da zona do euro, mas conduz sua política monetária como se fizesse ? e por impor uma austeridade fiscal excessiva nos últimos anos, ainda que os custos dos empréstimos sejam extremamente baixos.
Nada disso influencia significativamente a questão do bem-estar social: a política macroeconômica de curto prazo é outra história. No entanto, caso se queira pensar na Dinamarca como modelo para todo o mundo, fica aí um lembrete útil.
Teorias de conspiração monetária
De acordo com o medidor de opinião pública do Huffington Post, não há sinal algum de uma volta em direção aos candidatos do establishment no Partido Republicano.
Na verdade, o triunvirato dos loucos ? Donald Trump, Ben Carson e Ted Cruz ? tem cerca de três vezes o mesmo apoio dado a Jeb Bush, Marco Rubio e John Kasich. Incrível. Por que será que os eleitores do partido não se dão conta de que essa gente é maluca? Talvez porque as coisas que eles dizem não sejam assim tão diferentes do que dizem os republicanos supostamente sãos.
Um exemplo: Donald Trump saiu agora com uma teoria de conspiração monetária. Diz ele que o motivo pelo qual o Federal Reserve Board não aumentou as taxas de juros não tem nada a ver com inflação baixa e ventos globais contrários ? na verdade, Janet Yellen, presidente do Fed, está apenas fazendo um favor político ao presidente Obama (leia o artigo da Bloomberg aqui). Que coisa louca, não é mesmo?
Mas, até que ponto isso vai realmente contra o que disseram em 2010 o deputado Paul Ryan e o professor de economia John Taylor na Investors.com, isto é, que a flexibilização monetária [o tal quantitative easing] não era um esforço de boa fé para dar sustentação a uma economia debilitada, e sim uma tentativa de "salvar a política fiscal" impedindo a crise fiscal que as políticas de Obama supostamente produziriam?
A diferença entre os republicanos tradicionais e tipos como Trump, em outras palavras, não tem muito a ver com o conteúdo do que dizem.
É mais uma questão de tom, ou seja, de como dizem. A ideia é nos convencer de que Bush, Rubio e Ryan são moderados porque insinuam suas teorias da conspiração, em vez de proclamá-las aos berros, e porque falam de cara limpa em mágica econômica [ou voodoo economics, segundo a qual a redução dos impostos das pessoas mais ricas estimularia a economia gerando mais recursos para o estado].
Por que, então, deveríamos ficar surpresos com a base do Partido Republicano, que não entende por que isso os torna candidatos mais plausíveis?
TRADUÇÃO: A.G.MENDES
FOTO: Michael Drost-Hansen/New York Times


