A vacina do juízo
Aécio, Serra e Alckmin tem a mesma linha de pensamento: os três querem se candidatar em 2018 aproveitando que a fragilidade do PT pode afetar a candidatura de Lula
O PSDB se entusiasma com as pesquisas divulgadas pelo Ibope e Datafolha, apontando favoritismo de seu candidato ao Palácio do Planalto na eleição de 2018, senador Aécio Neves; mas, cauteloso, garante que está vacinado contra o traiçoeiro "já ganhou" --uma mística que tem derrotado candidatos bons de voto em eleições para os cargos majoritários, como os de prefeito, governador e presidente da República.
O partido está ciente do óbvio, de que eleição se ganha com o voto na urna e não apenas com CPIs, mensalões, petrolões, passeatas e panelaços. E lembra o exemplo da eleição de prefeito de São Paulo em 2012, em que Lula conseguiu eleger seu segundo "poste", Fernando Haddad, no auge no julgamento do Mensalão do PT, mesmo enfrentando um forte candidato como José Serra.
O cenário atual favorece em tudo o senador mineiro, que assumiu a liderança da oposição ao governo de Dilma Rousseff. Para os petistas, Aécio Neves é o político brasileiro da atualidade que melhor se desempenha nos bastidores, "desenrolando até fios desencapados".
Além de merecer "deferência especial" da imprensa, o PT atribui ao presidente do PSDB, Aécio Neves, um trabalho tão eficiente nos bastidores dos poderes da República, que conseguiu impedir, até hoje, o julgamento do Mensalão tucano, anterior ao Mensalão do PT, que tem como réu nº 1 o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo.
O Mensalão tucano aguarda julgamento em Minas há 11 meses. O PT, contudo, exagera quando afirma que Aécio tem controle "até no noticiário" político no País.
Como acontece com todos candidatos que lideram as pesquisas, também Aécio se enche de entusiasmo ao merecer a preferência da maioria dos eleitores; mas, mostrando estar com a cabeça no lugar, o senador sabe que a eleição de 2018 não será decidida apenas entre ele e Lula.
Seria o mel na chupetra se as coisas continuassem como estão até a próxima eleição.
Na hipótese de Dilma ser cassada e Michel Temer assumir o governo, por exemplo, a informação é que ele estaria disposto a escolher o senador José Serra para o Ministério da Fazenda, com o objetivo de consertar a economia e se viabilizando como futuro candidato do PMDB ao Palácio do Planalto.
Teríamos, então, a reprise do filme de 1994, em que o Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, se elegeu presidente pela primeira vez, no embalo do sucesso do Plano Real criado pelo presidente.
A dupla vitoriosa Itamar/FHC de 94 daria lugar à dupla esperançosa formada por novos protagonistas, Temer/Serra. A eventual candidatura de Serra teria todos os ingredientes com força para implodir parcela da votação de Aécio Neves em São Paulo, primeiro colégio eleitoral do País.
Pensando na possibilidade de Serra ser candidato pelo PMDB, Aécio corre atrás de Geraldo Alckmin, tentando convencer o governador paulista a ser o seu candidato a vice.
Aécio se assustou com a notícia de que Alckmin poderia ser candidato ao Planalto pelo PSB, também aproveitando a perda de popularidade do PT. Seria mais uma sangria nos votos dos paulistas, que hoje preferem Aécio Neves.
Detalhe: Aécio, Serra e Alckmin tem a mesma linha de pensamento: os três querem se candidatar em 2018 aproveitando que a fragilidade do PT pode afetar a candidatura de Lula. Os três acham que será mais fácil se eleger presidente na próxima eleição e nenhum quer deixar de ser candidato.
Lula, Aécio, Serra e Alckmin, formariam, portanto, um quarteto de candidatos "da pesada"; mas, ainda falta a definição da ex-ministra Marina Silva, que espera pela legalização de seu partido, o Rede Sustentabilidade, no TSE, para se lançar candidata pela terceira vez.
Com a diluição de votos entre quatro ou cinco candidatos, todos eles teriam condições de passar para o segundo turno, onde só existem duas vagas. A vantagem do candidato do PSDB, Aécio Neves, é que ele pode se beneficiar pelo recall da eleição de 2014.

