Ações para infraestrutura e exportação reacendem a economia
Para Simão Davi Silber, professor sênior da FEA/USP, qualquer nova medida do governo para enfrentar a crise pode ter algum efeito somente a partir de 2017

Não se pode esperar muito de uma economia com pouco mais de 11 milhões de desempregados, uma inflação ao redor de 7% ao ano, taxas de juros na casa de dois dígitos e um dos índices de confiança mais baixos da história.
Mas..um programa de concessões na área de infraestrutura, abrangendo os setores de transporte, energia, aeroportos e ferrovias pode reacender o interesse do setor privado.
Com o mercado interno enfraquecido, programas do governo para fortalecer as exportações também podem dar novo gás às indústrias.
Medidas focadas em investimentos e comércio externo podem, portanto, devolver a credibilidade e a confiança que o país precisa para fazer a economia voltar a crescer.
A análise é do economista Simão Davi Silber, professor sênior da FEA/USP e doutor em economia pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
Essas medidas macroeconômicas, a seu ver, teriam algum impacto na micro economia a partir do ano que vem. “Investimento em infraestrutura gera emprego e aumenta a renda, com consequente aumento de consumo”, diz ele.
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Neste ano, de acordo com Silber, nem investimentos em infraestrutura nem exportações poderão ter algum impacto imediato na economia.
O PIB brasileiro deve cair 4% e a inflação deve bater em 7% no final do ano, de acordo com suas projeções.
Medidas capazes de estimular investimentos em infraestrutura e aumento do comércio exterior poderiam ter algum efeito, e modesto, em 2017, levando o PIB (Produto Interno Bruto) a um crescimento de 1%, de acordo com ele.
“Se as empresas tiverem um pouco mais confiança, vão contratar funcionários, mesmo que por um período temporário. O que a gente não pode é ficar com um corpo sem cabeça”, diz.
Para Silber, um dos maiores problemas do Brasil hoje é a ausência de diretrizes, já que o país vive um período “com um governo meio acabado e com outro para entrar.”
As contas públicas estão totalmente desorganizadas, o país vai fechar o ano com déficit primário muito elevado (R$ 111,2 bilhões, em 2015), com dívida explosiva. “Essa é a fotografia de curto prazo”, diz Silber.
A queda da produção brasileira é da ordem de 10% do PIB, o que resulta em perda de R$ 600 bilhões em produção, de acordo com a sua projeção.
“Se o país não escapar disso, vamos ter uma década perdida”, diz.
CLASSE C
As conquistas da classe C dos últimos anos já se perderam. “Quem mais sofreu com a inflação foi o pessoal de baixa renda, com desemprego e inflação em alta. "Perdeu em dois anos o que havia ganho em dez”, diz.
Enquanto as medidas para estimular a economia não chegam, resta aos empresários, de acordo com Silber, cortar custos e abusar da criatividade para vender.
“Se o cliente sumiu, não dá para laçá-lo no meio da rua. O que o empresário pode fazer é reduzir ao mínimo possível o custo de sua atividade e, em segundo lugar, usar de engenhosidade gigantesca para atrair o consumidor, como convidá-lo para um happy hour ou fazer promoções por uma hora.”
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Foto: Divulgação
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