Adoráveis pecadores

A saia justa em que os políticos se metem quando querem agradar a gregos e troianos

João Batista Natali
18/Out/2015
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Adhemar de Barros, o filho, decidiu se candidatar ao Senado e resolveu participar das festividades no Santuário de Nossa Senhora, em Aparecida, no dia da santa, 12 de outubro.

Adhemarzinho, como era chamado, assistiu à missa ao lado de outros políticos e candidatos que, como ele, almejavam vôos mais altos na política e buscavam a proteção divina da santa e a bênção dos céus.

Distribuiu abraços e beijou beatas, crianças e imagens de santos que os peregrinos levavam para serem benzidas; percorreu a basílica onde centenas de pessoas se acotovelavam ouvindo atentamente as mensagens de fé de padres e bispos, à espera de milagres encomendados por parentes e amigos doentes.

Ao retornar à capital, Adhemarzinho resolveu caitituar votos também dos evangélicos, que participavam de uma concentração gigantesca no estádio do Pacaembu.

O estádio estava superlotado, com as arquibancadas literalmente tomadas pelos religiosos e os organizadores do evento decidiram acomodar os políticos no centro do gramado, território sagrado onde pisaram craques do mundo todo.

Tudo ia bem para o candidato, até o momento em que os evangélicos começaram a quebrar imagens de santos. Qual não foi a surpresa quando o locutor que enchia todo o espaço do estádio com seu vozeirão grave, usou os alto-falantes para pedir que Adhemarzinho parasse de conversar com outros políticos e prestasse atenção no ritual macabro.

Possivelmente, estava insinuando que o candidato também quebrasse imagens sagradas, semelhantes àquelas que, horas antes, havia beijado no Santuário de Nossa senhora.

Dr. Adhemar se viu numa saia justa tremenda e decidiu ir embora, mesmo correndo o risco de perder votos. Talvez os votos que faltaram para se eleger senador.

Quando se trata de fazer campanha eleitoral, os candidatos sempre enfrentam situações inusitadas, algumas inclusive inacreditáveis, como, por exemplo, o que ocorreu com o deputado Osvaldo Justo quando se candidatou a prefeito de Santos. Cumprindo agenda de campanha, Justo subiu o morro para engrossaar sua votação e, mais uma vez, o imponderável aconteceu.

O candidato foi muito bem recebido pelos moradores do morro, chegando a ser compelido em aceitar um cafezinho acompanhado de bolo e bolacha, oferecidos por uma humilde senhora que morava num casebre.

A desagradável surpresa veio quando Justo levou o café à boca e enxergou que uma asinha de barata se equilibrava na borda da xícara. O candidato não teve outra alternativa a não ser enfiar o café goela abaixo.

Eleito prefeito, Osvaldo Justo se viu diante de um impasse: nenhum prefeito que o antecedeu havia conseguido eliminar os focos de ratos e ratazanas que infestavam os belos e bem cuidados jardins das praias santistas, considerados um dos mais bonitos das praias brasileiras.

Foi então que Justo resolveu imitar Colombo e colocar o ovo em pé: providenciou dezenas de gatos e pediu a auxiliares que espalhassem os bichanos pelos jardins das praias: foi com esse simples gesto que conseguiu extirpar as ninhadas de ratos e ratazanas. Dias após seu feito heróico, Osvaldo Justo recebeu mensagem da ONU cumprimentando-o pela "ideia original".

 

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