Alimentos funcionais: esse segmento é a aposta da Vigor

Companhia vê espaço para crescer nesse segmento mesmo tendo de repassar ao consumidor o aumento das tarifas de energia elétrica, água e a elevação do dólar

Estadão Conteúdo
13/Ago/2015
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Alimentos funcionais: esse segmento é a aposta da Vigor

A Vigor pretende expandir sua atuação no mercado de produtos funcionais em um movimento comparável à inserção do iogurte grego no país, feita em 2012. O presidente da companhia, Gilberto Xandó, diz que a Vigor deve ampliar o seu portfólio, realizar ações em pontos de venda e investir na marca Lactive para ganhar espaço. 

O plano entra em marcha em momento delicado para a companhia, que planeja repassar aos consumidores parte do seu ônus com os reajustes das tarifas de energia elétrica e água e a alta do dólar, que encareceu insumos. 

"Enxergamos que é maduro participar mais do mercado de funcionais. Apesar de ele não apresentar o ritmo de crescimento que víamos no passado, é um mercado no qual temos espaço para crescer", disse Xandó, em teleconferência com analistas para discutir os resultados da companhia no segundo trimestre deste ano. 

Segundo o executivo, a Vigor reformulou seu portfólio e embalagens de funcionais e vai investir em comunicação para solidificar a marca Lactive. 

Xandó, no entanto, evita citar números. "Não costumamos falar em investimento, mas planejamos algo relevante", disse, garantindo que tem um plano bastante agressivo para o segundo semestre. 

Os produtos funcionais miram consumidores preocupados com a saúde, para além do valor nutricional. Neste quesito, a Lactive compete diretamente com o Activia, da Danone. A companhia espera que a expansão na categoria garanta margens e resultados melhores. 

REPASSE DE CUSTOS

O apetite dos consumidores não será testado apenas com um mix de produtos novos, mas também com preços maiores. A Vigor quer aumentá-los entre 8% e 12%, a depender da linha, em média. 

A alteração dos preços deve ocorrer ainda este mês ou em setembro. Segundo Xandó, a mudança não será feita para aumentar margens da companhia, mas para equiparar receitas à alta nos custos dos insumos. O executivo diz não esperar perda de mercado com a decisão. 

"Nas últimas vezes em que fizemos isso, não sentimos tanta dificuldade", afirmou. A Vigor, segundo Xandó, continua bastante otimista com o mercado brasileiro. 

"É um mercado resiliente, que cresce menos na situação que vemos hoje, mas que tem um futuro muito promissor", afirmou.

Neste semestre, a companhia pretende inaugurar a sua fábrica em Barra do Piraí (RJ), que será focada na produção de leite UHT e iogurtes. 

ABERTURA DO MERCADO RUSSO

Durante a teleconferência, Xandó se disse cauteloso a respeito da abertura do mercado russo para o leite em pó brasileiro e não espera resultados significativos no curto prazo. 

Para o executivo, o mercado internacional vive um cenário bastante confuso, com os preços internacionais em queda, sobretudo por causa da menor demanda chinesa e do fim do regime de cotas na União Europeia. 

O índice geral do Global Dairy Trade (GDT), que engloba diversos produtos lácteos, atingiu este mês o menor valor em 13 anos: US$ 1.815 por tonelada. 

O preço médio do leite em pó integral foi de US$ 1.590 por tonelada, montante 51,4% menor do que o registrado em fevereiro deste ano. 

Sem fazer referência direta à plataforma de leilões, criada pela Fonterra, Xandó diz que ninguém consegue produzir nesses níveis de preços, porque é prejuízo na certa.

FOTO: Estadão Conteúdo

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