Ano começa com a bolsa na lanterna e o ouro no topo
Ibovespa chega ao final do primeiro mês de 2016 em queda depois de um dia de euforia. Incertezas política e econômica predominam no cenário para investir em fevereiro

Parece um mês da marmota - já que 2016 não começou muito diferente do último mês do ano passado. Em janeiro, o Ibovespa (índice que reúne as ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) terminou em queda de 6,79%, aos 40.405 pontos, ficando na lanterna do ranking de investimentos do mês.
O tombo seria maior não fosse a euforia de investidores nesta sexta-feira (29/01), último dia útil do mês, que fez o índice subir 4,34% - a maior alta diária em 14 meses.
O otimismo foi puxado pela decisão do Banco Central do Japão de adotar juros negativos sobre os depósitos das instituições financeiras (remunerados pelos títulos públicos).
Outro fator que pesou foi a divulgação de que a economia dos Estados Unidos desacelerou no quarto trimestre e cresceu apenas 0,70%.
Ao adotar juros negativos, o Japão ajudou a impulsionar a cotação do petróleo no mercado internacional, já que o país é grande consumidor de matérias-primas.
Fabio Colombo, administrador de investimentos que elabora o ranking, diz que o movimento ocorrido no Japão influenciou as bolsas do mundo todo. No Brasil, investidores aproveitaram para realizar lucro em operações vendidas.
No sentido contrário, o dólar caiu 1,36% nesta sexta-feira (29/01), cotado a R$ 4,02, e acumulou alta de 1,68% em janeiro. O euro proporcionou ganho menor no mês, de 0,89%.
O destaque no ranking de investimentos do administrador Fabio Colombo foi o ouro, que se valorizou 4,80% no primeiro mês do ano.
Em fevereiro, o ânimo dos investidores com a mudança de juros no Japão não deve continuar favorecendo a bolsa.
Raymundo Magliano Neto, diretor presidente da Magliano Corretora, avalia que a bolsa não deve ser influenciada positivamente, já que para o investidor japonês não compensa tomar empréstimo a juro negativo para investir no Brasil, nem na renda fixa, por causa da forte volatilidade do câmbio.
"Há estimativa de que o câmbio possa chegar a R$ 4,70 no fim do ano. Para o investidor estrangeiro seria uma perda de 20%, algo que a renda fixa não repõe. E o investidor japonês é conservador e já teve perdas desse tipo aqui", afirma.
Se janeiro foi um mês no qual a renda variável e a taxa de câmbio seguiram muito os movimentos no exterior - como a desaceleração da China e a queda no preço do petróleo - o comportamento desses ativos em fevereiro voltará a ser pautado por Brasília e por questões que ficaram em aberto, como o processo de impeachment e votações de projetos que compõem o ajuste fiscal.
RENDA FIXA: DESAFIO AINDA É INFLAÇÃO
Para quem ganha com os juros, o desafio é fazer o dinheiro render mais do que a inflação, que continua acelerada. Pelo menos foi o que mostrou o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que subiu 1,14% no primeiro mês do ano. A prévia da inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - o IPCA-15 - foi de 0,92% em janeiro.
A aplicação que mais rendeu, segundo o ranking de Colombo, foi o título do Tesouro Nacional indexado ao IPCA, com rendimento indicativo na faixa de 1,40% a 1,55%. A aplicação remunera com a taxa de inflação oficial e mais um cupom de juros.
"É uma boa aplicação para quem pode deixar até o vencimento. As aplicações pós-fixadas são mais recomendadas porque são menos arriscadas", diz Colombo.
Segundo Magliano, é possível obter boas taxas em letras de crédito e do agronegócio e em CDBs de bancos menores. Além disso, eles são assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
De acordo com o ranking, o rendimento médio dos fundos de renda fixa foi de 1% a 1,15% em janeiro, dependendo da taxa de administração.
As aplicações que renderam menos do que a inflação medida pelo IGP-M foram o fundo DI, com retorno médio de 0,95% a 1,10%; o CDB, com rentabilidade indicativa média de 0,90% a 1,05%, e a poupança, que ofereceu ganho líquido de 0,63%.
Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest diz que a pressão inflacionária deve continuar nos próximos meses, principalmente após o sinal do Banco Central de que a taxa Selic permanecerá estacionada no atual patamar de 14,25% ao ano.
"Por isso, considero prudente para o investidor ter uma parcela de 15% a 20% da renda fixa em aplicações atreladas à inflação medida pelo IPCA ou pelo IGP-M. E o restante em pós-fixados. Para quem pode aplicar por um prazo longo, uma parcela de prefixado", conclui.
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