Apoiado por militares dissidentes, Guaidó enfrenta Maduro
Porta-voz do governo dos Estados Unidos chegou a declarar que Maduro estava prestes a deixar Caracas, mas foi demovido da ideia pela Rússia

O líder opositor Juan Guaidó anunciou na manhã desta terça-feira, 30/4, em um pronunciamento diante da Base Aérea de La Carlota, uma das mais importantes da Venezuela, que obteve o apoio dos militares para "pôr um fim à usurpação", em referência a derrubada do presidente Nicolás Maduro.
Ele estava acompanhado de seu padrinho político, Leopoldo López, que fugiu da prisão domiciliar com auxílio de agentes do Sebin, o serviço secreto venezuelano.
López e Guaidó convocaram manifestações de rua para respaldar sua movimentação contra o governo. Pelo menos 3 mil pessoas se dirigiram aos arredores da base e foram reprimidos por soldados leais a Maduro. Houve confronto e blindados chavistas arremeteram contra a multidão.
Houve registros de protestos nas cidades de Maracaibo e San Cristóbal, no oeste da Venezuela, além de Caracas segundo a agência France Presse. Em virtude da falta de luz crônica em parte do país, é difícil obter relatos sobre cidades mais afastadas do interior.
Os confrontos ocorreram ao longo de todo o dia, mas perderam intensidade no final da tarde.
Um porta-voz do governo dos Estados Unidos chegou a declarar que Maduro estava prestes a deixar Caracas, mas foi demovido da ideia pela Rússia, que apoia seu regime.
O general Rêgo Barros, porta-voz da Presidência da República, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro conversou por telefone com o presidente autoproclamado da Venezuela Juan Guaidó, por telefone à tarde. A ligação ocorreu por volta das 14h, depois de enfrentar uma série de dificuldades técnicas.
Bolsonaro decidiu dar asilo a cerca de 25 militares venezuelanos. O governo brasileiro não revelou a identidade dos militares que foram acolhidos.
O opositor Leopoldo López se abrigou pediram refúgio na embaixada Chilena. Guaidó estaria buscando abrigo na embaixada da França
Na avaliação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, o apoio da alta cúpula das Forças Armadas da Venezuela ao oposicionista Guaidó não foi confirmado ao longo do dia, como chegou a ser anunciado pelo presidente autoproclamado no início da manhã.
Para Heleno, não há expectativa de solução no curto prazo para a crise no país vizinho e o cenário segue indefinido.
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