Após rebaixamento, saída de recursos será de até US$ 1 bi

Parte importante do ajuste dos investidores à perda do grau de investimento do Brasil foi feita nos últimos meses e o movimento de venda de ativos não deve ser tão intenso agora, segundo o BofA

Estadão Conteúdo
17/Dez/2015
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Após rebaixamento, saída de recursos será de até US$ 1 bi

O Bank of America Merrill Lynch (BofA) avalia que parte importante do ajuste dos investidores à perda da classificação grau de investimento do Brasil foi feita nos últimos meses e o movimento de venda de ativos (saída de recursos) não deve ser tão intenso agora.

A projeção do banco é de que os fundos de índice passivos - que têm carteiras que reproduzem os referenciais (como as que seguem o Ibovespa, por exemplo) - poderiam ter de vender entre US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão em bônus soberanos brasileiros para ajustarem suas carteiras, de acordo com um relatório divulgado nesta quinta-feira (17/12).

Os estrategistas do BoFA, Jane Brauer e Sebastian Rondeau, afirmam que a maior parte dos fundos que investem em bônus do Brasil são ativos, ou seja, procuram movimentos para superar seus referenciais.

A maioria desses gestores já se antecipou ao corte do rating brasileiro, que era esperado há alguns meses, e foi reduzindo a exposição ao país.

Parte importante dos fundos estava "underweight" em Brasil, ou seja, esperando retornos abaixo da média do mercado.

Já os fundos passivos precisam reproduzir fielmente os referenciais e o ajuste é mais lento, por isso podem ocorrer agora as chamadas "vendas forçadas", necessárias para a readequação dos portfólios.

Para os analistas do BofA, a expectativa era de que a Moody's cortasse a nota brasileira antes da Fitch, o que deixa um novo rebaixamento do rating soberano apenas como uma questão de tempo.

Com o corte da nota por duas agências, os bônus soberanos do Brasil deixam no fim do mês de fazer parte dos índices dos Estados Unidos e globais de países classificados como grau de investimento e os fundos passivos vão precisar se ajustar.

SITUAÇÃO PIORA COM A SAÍDA DE LEVY

A semana que antecede o Natal tem sido complicada para o Brasil, destacam os analistas do BofA.

Eles destacam, além do rebaixamento, os rumores da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a redução da meta de superávit primário de 2016, para 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país), além do julgamento do rito do impeachment no STF (Supremo Tribunal Federal).

A saída de Levy pode agravar ainda mais o cenário no Brasil, destaca o relatório. "Claramente não há no momento um substituto para o ministro."

Além disso, o processo de impeachment ajuda a aumentar a incerteza sobre o país e a continuidade do ajuste na economia.

O aprofundamento da recessão, a maior do Brasil em décadas, continua dificultando o ajuste fiscal. A estrutura rígida de gastos e a queda da arrecadação vão tornar ainda mais difícil o governo alcançar um superávit primário, destacam os estrategistas.

IMAGEM: Thinkstock

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