As eleições e o comércio
São nas ruas e centros do comércio que navegam as boas economias, estimuladas por governantes cuja imaginação deve ser maior do que a de um fiscal furioso e cobrador de imposto impiedoso

A confusão política é tão especial que os que se consideram progressistas são contra a mudança, e os chamados conservadores querem mudar. O sistema de Três Poderes não tem mais uma mesma visão do que seja o papel de uma lei estável, compreensível e duradoura. As instituições funcionam em permanente estado de anomia com o enfraquecimento da confiança na legitimidade das normas.
A profusão de leis no parlamento, improvisações de caráter eleitoral no governo, e criatividade legal no Judiciário estão vergastando a paz para prosperar. E o Banco Central continua o samba de uma nota só, e cara. Para quem tem responsabilidade econômica e atua diariamente para atender o consumidor, o estado de espírito é de verdadeira aflição.
Se com o processo eleitoral já em curso o dia a dia do comércio continuar, fenômeno pouco observado para os candidatos aos governos e aos parlamentos nacional e estadual, a eleição não cumprirá função relevante. A política da democracia brasileira atrapalha a vida econômica quando a rotina tumultuada do seu calendário não respeita nem absorve as características da atividade comercial. E altera tanto as normas que mais atrapalha do que pode significar impulso às oportunidades de negócio.
A eleição se tornou uma atividade "estatizada", e parece não se interessar muito pelos problemas da sociedade e das necessidades dos que produzem e consumem mercadorias. Como nossa democracia é muito barulhenta e meio instável, agravada pela pulverização de ideias e candidatos de todo tipo, seria bom o Estado para ficar mudando lei neste ano.
É tudo tão inusitado que até normas de fiscalização do trabalho se propõem a fazer diagnóstico médico enfiando psiquiatria no ambiente de trabalho. A psicologização de tudo é mania mundial que aumenta o sofrimento de trabalhadores e empresários.
Lei, lei, mais lei: a infantilização permanente que o Estado impõe à sociedade não lhe concedendo autonomia para crescer adulta e em liberdade. Vivemos um panorama complexo especialmente porque os motores do crescimento do mundo não cooperam com os países burocráticos. Por isso o setor produtivo, empresários e trabalhadores, não pode, pois, jogar a toalha.
Não pode se deixar iludir com a política dos políticos. É preciso estimular a política dos interesses e desafios da Sociedade. Comércio e paz são quase sinônimos. Onde existe um, existe o outro.
Quem quiser chegar ao fim da eleição sem atrapalhar o processo democrático precisa tratar de ser sincero e ter domínio técnico e sensibilidade para os problemas do setor. Procurar ter uma fé e um programa compreensível, um ponto no futuro e buscar atingir a imaginação do eleitor sem querer manipulá-lo pela mentira ou o medo. A maior fatalidade do Brasil atual é a insegurança na vida do cidadão. Para viver, circular, comprar, vender, consumir.
O comércio tem sido o centro do progresso econômico de inúmeros países ricos. Turismo, gastronomia e inovação fazem um PIB gigantesco em qualquer lugar do mundo. Nossos governantes precisam fazer o Brasil se beneficiar mais da beleza do Brasil. Estimular o trabalho protegido, diminuir impostos, simplificar sua cobrança, não ameaçar a autonomia sindical, patronal e laboral, para decidir sobre seus problemas.
O comercio é um mar sem fim. São nas ruas e centros do comércio que navegam as boas economias, estimulados por governantes cuja imaginação deve ser maior do que a de um fiscal furioso e cobrador de imposto impiedoso.
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IMAGEM: Agência Brasil

