As fontes dos milhões

De qual baú da felicidade os principais candidatos ao Planalto, Dilma Rousseff e Aécio Neves, sacaram cerca de R$ 300 milhões cada um para custear suas campanhas?

Eymar Mascaro
10/Dez/2014
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Nada soa mais falso na política do que um candidato de partido grande, que disputa um cargo executivo –seja de prefeito, governador ou presidente da República- acusar o adversário, também representante de um partido encorpado, de usar doações ilegais na

sua campanha. Tomemos como exemplo a eleição de outubro, e a pergunta que se faz é: de qual baú da felicidade os principais candidatos ao Planalto, Dilma Rousseff e Aécio Neves, sacaram cerca de R$ 300 milhões cada um para custear suas campanhas?

O grosso das doações dos dois candidatos teve a mesma origem: empreiteiras e bancos. Via de regra, as empresas doadoras esperam ser recompensadas pelo candidato vitorioso, através de contratos milionários que esperam assinar para a execução de

obras públicas. São normais as desconfianças de que empresas combinam preços quando participam do processo  licitatório para a escolha de quem será contratado para executar as obras. É nesse momento que podem surgir as propinas ou as

comissões que vão parar nos bolsos de diretores e funcionários das estatais, como são exemplos mais recentes os escândalos da Petrobrás e do Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo, envolvendo os dois partidos que costumam definir as eleições, PT e

PSDB. Outro ingrediente nas campanhas são as doações não contabilizadas, conhecidas como caixa-2, usada principalmente pelos grandes partidos.

"O destino das verbas que sobraram é desconhecido do contribuinte"

Se o eleitor mais curioso acessar as prestações de contas das campanhas,vai constatar que os dois candidatos receberam parte das doações das mesmas empresas. É provável que entre as empresas doadoras estejam algumas que se envolveram nos escândalos que estão na mídia e que tiveram diretores presos, como  na Operação Lava-Jato, agora indiciados pela justiça como agentes que “molharam as mãos” de diretores das estatais e de dezenas de políticos, cujos nomes –misteriosamente- ainda não foram divulgados.

São políticos dos mais variados partidos, muitos deles, no exercício do mandato de deputado e senador. No bojo das delações premiadas feitas por doleiro e diretores da Petrobrás, surgiu a denúncia, por exemplo, de que um ex-presidente do PSDB teria

recebido uma propina de R$ 10 milhões para abortar, há anos, uma CPI no Congresso para apurar irregularidades ocorridas na estatal. Mas, fica o dito pelo não dito, porque o ex-dirigente tucano morreu quando era deputado.

Se o dinheiro do caixa-2 usado principalmente pelos principais partidos é ilegal, é falso, portanto, que Dilma Rousseff e Aécio Neves se acusem mutuamente de ter  feito campanha viciada e contaminada pela corrupção. É o roto falando do esfarrapado.

O cálculo feito pelos homens de marketing e segundo as informações já vazadas pelos partidos, as campanhas de Dilma e Aécio custaram cerca de R$ 250 milhões cada. Parece, no entanto, que PT e PSDB tiveram sobra de dinheiro arrecadado. O destino das verbas que sobraram é desconhecido do contribuinte, que é quem, no final da festa, paga a conta.

 

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