Baixaria pede passagem

Os tucanos acreditam que o TSE pode cassar Dilma e Temer e convocar nova eleição em 90 dias. Uma das acusações é que a campanha de Dilma teria sido irrigada com dinheiro sujo

Eymar Mascaro
13/Out/2015
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A oposição pressiona o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para apressar o julgamento do parecer do TCU que rejeitou as contas de Dilma Rousseff de 2014, porque pretende dar início, já, à instalação do processo de impeachment da presidente.

Como Cunha admite não ser viável julgar com a rapidez que a oposição exige o parecer do Tribunal de Contas, a oposição quer recorrer ao plenário para obter o aval dos deputados e atropelar o presidente da Casa.

Mesmo sem o julgamento do parecer do TCU, a oposição acha que não precisa encontrar primeiro uma razão jurídica para acusar a presidente de crime de responsabilidade.

Os opositores reconhecem que o impeachment possa ser votado levando em consideração apenas o aspecto político, deixando lado a razão jurídica, o que permitiria a Dilma - segundo juristas- derrubar no STF a decisão do Congresso.

Os mais apressados não querem que o julgamento do parecer do TCU na Câmara fique para o início do próximo ano, porque em 2016 teremos eleições municipais e a realização dos Jogos Olimpicos, no Rio.

Os defensores do impeachment lembram que os parlamentares vão estar mais preocupados, por exemplo, em fazer campanha de prefeito e vereador e terão de viajar mais vezes para seus estados e municípios, se ausentando de Brasília. Nesse caso, justificam que a tese do impeachemnt iria morro abaixo.

Ocorre, no entanto, que nem todos os deputados da oposição, como alguns do PSDB, tem o mesmo interesse em afastar a presidente, permitindo ao vice Michel Temer assumir o posto de presidente da República.

O bote do PSDB tem outro viés: o de afastar também o vice-presidente através do TSE, evitando que Temer substitua Dilma e fortaleça seu partido, o PMDB e, principalmente, seu candidato ao Palácio do Planalto, em 2018, que pode ser o senador bom de voto José Serra.

Na boca do povo se diz que o senador Aécio Neves sabe onde o calo aperta. Não interessa a Aécio o surgimento de um outro candidato forte a presidente, como é o caso de Serra.

Quando protocolou no TSE o recurso pedindo a anulação da eleição de 2014, com a justificativa de que teria ocorrido irregularidades na campanha da chapa Dilma/Temer, o PSDB jogava com o propósito de evitar que apenas Dilma fosse afastada por meio do impeachment, no Congresso.

Os tucanos acreditam que o TSE pode cassar Dilma e Temer e convocar nova eleição em 90 dias. Uma das acusações que o PSDB faz ao PT é que a campanha de Dilma teria sido irrigada com dinheiro sujo.

Os petistas, contudo, rebatem a acusação, lembrando que também a campanha de Aécio foi paga com as doações de empresas privadas.

Em tempo: Dilma e Aécio gastaram, juntos, cerca de R$ 600 milhões em suas campanhas, isto é, cada candidato gastou R$ 300 milhões. A maioria das doações é feita por empreiteiros, quando os candidatos disputam cargos executivos: prefeito, governador e presidente da República.

Os tucanos estão se convencendo de que a justiça eleitoral não acatará a tese defendida pelo partido de que Aécio Neves teria o direito de assumir a presidência na vacância do cargo, por ter sido o segundo colocado nas eleições do ano passado.

Se o TSE convocar nova eleição, os candidatos teriam um prazo de 90 dias para fazer campanha. Independentemente do lançamento de outras candidaturas, o certo é que teríamos as presenças dos candidatos do PT e PSDB, Lula e Aécio Neves, respectivamente, dois pesos-pesados brigando por 140 milhões de votos.

Seria um tira-teima empolgante. Uma vitória de Aécio enterraria a agitada carreira política de Lula e deixaria o PT sem rumo no futuro, enquanto um novo êxito de Lula nas urnas abalaria as pretensões palacianas do senador mineiro e comprometeria irremediavelmente o futuro do PSDB.

A campanha de Aécio Neves seria centralizada nas denúncias de escândalos nos governos de Lula e de Dilma, que tanto abalaram a popularidade da presidente e a estrutura de seu partido, chamuscando também a imagem de Lula, enquanto o candidato do PT correria atrás de coisas, coisinhas e coisonas ocorridas nos governos tucanos em Minas, especialmente nos dois de Aécio Neves.

Seria uma verdadeira lavagem de roupa suja, ou, uma baixaria sem limites de corar a face da classe política de vergonha, uma classe que ultimamente tem frequentado mais as páginas policiais dos jornais e revistas e menos as páginas dedicadas à arte de fazer política.

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