"BB e Caixa não estão em posição forte para fazer aquisições"
O alerta veio da agência de classificação de risco de crédito Moody's, que em relatório afirmou que o governo pode usar esses bancos para cumprir objetivos políticos

A agência de classificação de risco Moody's afirmou que o fato de o governo do Brasil ter aprovado em 22 de março uma lei que autoriza que os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil adquiram participação acionária em bancos ou companhias públicos e privados, entre elas empresas nos segmentos de segurança e tecnologia, representa um "desafio".
A Moody's alerta que os dois bancos não estão em uma "posição forte para fazer aquisições no momento".
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Segundo a Moody's, ainda que os bancos não tenham anunciado nenhum plano específico de aquisição, esse aval pode dar ao governo "flexibilidade adicional para usar a Caixa e o BB para cumprir objetivos de política", em um momento em que os dois bancos enfrentam "uma deterioração na sua qualidade de ativos e na receita".
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A Moody's diz que qualquer plano para comprar ações em outras companhias iria drenar capital dessas instituições, o que "reduziria a capacidade delas de absorver perdas inesperadas".
Para a agência, o governo ainda precisa deixar mais claro o motivo de ter emitido essa autorização para aquisições. A Moody's lembra que a medida seguirá em vigor até dezembro de 2018, quando acaba o mandato da presidente Dilma Rousseff.
"Na ausência de metas de aquisição definidas, é possível que a lei seja usada para autorizar bancos a comprar participação acionária em grandes corporações em troca de dívida corporativa reestruturada, o que poderia ajudar a reduzir riscos de ativos por todo o sistema bancário", informa a agência.
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