BC reduz a projeção para crescimento da economia em 2017

A estimativa do PIB passou de 1,3% para 0,8%. A revisão reflete a retomada da atividade econômica mais demorada e gradual do que a antecipada previamente

Estadão Conteúdo
22/Dez/2016
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BC reduz a projeção para crescimento da economia em 2017

O Banco Central (BC) reduziu para 0,8% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017. No relatório anterior, a projeção era de alta de 1,3%. A projeção é inferior à que foi usada na elaboração do Orçamento do ano que vem, de alta de 1%.

As projeções constam no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã desta quinta-feira, 22, pelo BC. Para 2016, o banco previu agora queda de 3,4% do PIB, ante recuo de 3,3% previsto no relatório de setembro. Segundo o BC, a revisão do PIB do ano que vem reflete a retomada da atividade econômica mais demorada e gradual que a antecipada previamente.

Entre as componentes do PIB para o próximo ano, o BC projeta crescimento de 0,6% do setor industrial, expansão de 4% no setor agrícola e alta de 0,4% para o segmento de serviços. Antes, as previsões eram de alta de 1,5% para a indústria, de 3,5% para a agropecuária e de 0,9% para serviços.

No lado da demanda, o BC estima que o consumo das famílias vá acumular aumento de 0,4% em 2017, ante elevação de 0,8% projetada antes. O consumo do governo terá expansão de 0,5%, mesma estimativa do relatório anterior.

O documento desta quinta-feira indica ainda que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento na economia - deverá ter expansão de 0,5% em 2017. No relatório de setembro, a expectativa era de alta de 4,0%.

INFLAÇÃO

O Banco Central manteve as projeções para a inflação do próximo ano no cenário de mercado. Segundo o RTI, o cenário de mercado prevê Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,7% em 2017.

Essa é a mesma previsão da mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada em 6 de dezembro. No relatório de inflação de setembro, o BC esperava alta da inflação oficial de 4,9% pelo cenário de mercado.

Para 2016, o cenário de mercado indica que o IPCA ficará em 6,5%, e não mais em 6,6% como constava na mais recente ata do Copom ou nos 7,3% previstos no documento de setembro. Com isso, a inflação oficial ficaria no limite superior de tolerância da meta, cujo centro é 4,5%.

O cenário de mercado utiliza como parâmetros as previsões dos analistas, contidas no Relatório de Mercado Focus, para a taxa de câmbio e os juros no horizonte da previsão.

O RTI divulgado trouxe ainda a previsão para a inflação acumulada em 2018 pelo cenário de mercado. De acordo com a estimativa publicada pela instituição, a inflação será de 4,5%. Na ata do último encontro do Copom e no relatório de setembro, o porcentual projetado era de 4,6%.

JUROS

A magnitude dos cortes da Selic (a taxa básica de juros) e a intensificação do ritmo dependerão das projeções e expectativas de inflação e da evolução de fatores de risco específicos.

Essa avaliação já constava na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no início de dezembro.

"Nesse sentido, o Copom destaca que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada", pontuou o BC no RTI.

Para o BC, a intensificação do processo de diminuição da inflação depende de um ambiente externo adequado.

"Não há, no entanto, relação mecânica entre o cenário externo e a política monetária", acrescentou a instituição.

FISCAL

O documento avaliou ainda que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto dos gastos é uma contribuição importante para a economia brasileira.

Ao mesmo tempo, o BC defendeu a importância de outras reformas no âmbito fiscal e também no âmbito microeconômico, "visando maior flexibilidade da economia, ganhos de eficiência, aumento de produtividade e melhoria do ambiente de negócios".

Para o BC, os esforços nas reformas "são fundamentais para a estabilização e a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento sustentável da economia brasileira".

TETO DA META

O Banco Central que a chance de descumprimento da meta de inflação, conforme os parâmetros do Conselho Monetário Nacional (CMN), foi reduzida este ano.

De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado há pouco, a chance de estouro do teto da meta em 2016 caiu de 91% para 45%.

Já no caso de 2017, a chance de ultrapassar o teto da meta ficou estável em 12%. Para 2018, a probabilidade de estouro no teto da meta caiu de 6% para 4%. Estes cálculos foram feitos com base no cenário de referência.

O centro da meta de inflação de 2016, 2017 e 2018 é de 4,5%. No entanto, há tolerância de 2 pontos porcentuais (inflação até 6,5%) para este ano e de 1,5% ponto porcentual (inflação até 6,0%) para os próximos anos.

No cenário de mercado, a chance de estouro do teto da meta em 2016 diminuiu de 92% para também 45%, enquanto a de 2017 foi alterada de 21% para 17%. Para 2018, a probabilidade de estouro do teto da meta passou de 16% para 15% no cenário de mercado.

Em 2015, ao entregar o IPCA em 10,67%, o BC não cumpriu sua meta e o então presidente da instituição, Alexandre Tombini, teve que escrever uma carta aberta ao então ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.

PROJEÇÕES 

O BC também divulgou no RTI as estimativas de inflação no curto prazo. A expectativa da instituição para o IPCA em dezembro é de 0,48%. Já a projeção para janeiro é de 0,61% e, para fevereiro, de 0,55%.

No mais recente Relatório de Mercado Focus, divulgado na última segunda-feira, as projeções do mercado financeiro para a inflação eram de 0,49% para dezembro, 0,61% para janeiro e 0,58% para fevereiro.

*FOTO: Thinkstock

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