Bolsa cai mais de 1% com tensões no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em 192.888 pontos. Já o dólar ficou estável, cotado a R$ 4,973

Folhapress
22/Abr/2026
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Bolsa cai mais de 1% com tensões no Oriente Médio

A Bolsa fechou em queda de 1,65%, a 192.888 pontos, nesta quarta-feira (22), com ataques no estreito de Hormuz e incertezas sobre o futuro da guerra no Oriente Médio alimentando uma postura mais cautelosa de investidores.

O movimento ocorreu apesar de os EUA terem anunciado, na terça-feira (21), a prorrogação do cessar-fogo com o Irã por prazo indeterminado.

O dólar fechou estável, sem variação de valor em relação ao pregão anterior, cotado a R$ 4,973. Na mínima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 4,955.

No exterior, as Bolsas apresentaram desempenho misto. Nos EUA, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones avançaram 0,90%, 1,64% e 0,69%, respectivamente, com investidores otimistas de que a extensão do cessar-fogo possa indicar o fim definitivo do conflito.

Na Europa, o cenário foi de maior pessimismo, com o índice Euro Stoxx 50, referência do continente, tendo queda DE 0,41% - seguido por Frankfurt (-0,31%), Londres (-0,21%) e Paris (-0,96%).

Analistas voltaram as atenções para o Oriente Médio durante o pregão brasileiro. O Irã atacou navios de carga no estreito de Hormuz nesta quarta, no primeiro dia da segunda prorrogação do cessar-fogo feito por Donald Trump.

A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ter tomado o controle de dois navios de contêineres junto à sua costa em Hormuz: o MSC Francesca, de bandeira panamenha, e o Epaminondas, que navega sob as cores da Libéria. Ambas as embarcações foram atingidas por tiros, mas ninguém se feriu.

Segundo a UKMTO, agência de monitoramento naval da Marinha britânica, o tráfego de navios na região segue extremamente perigoso devido às ações do Irã e também ao bloqueio naval imposto aos portos da teocracia pelos Estados Unidos.

Para Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, embora o cessar-fogo seja positivo, o cenário ainda permanece incerto. "Os incidentes no estreito de Hormuz impactaram a volatilidade dos mercados e geraram ansiedade entre investidores", afirma.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, vê mercado mais contido, apesar da extensão da trégua. "O mercado já antecipava essa decisão, e a ausência de avanços concretos nas negociações mantém o prêmio de risco elevado. O estreito de Hormuz segue fechado, o que sustenta a tensão e pressiona o petróleo".

A volatilidade seguiu afetando o mercado de energia. Após uma ligeira queda com o anúncio de Trump na terça (21), o preço do barril do tipo Brent para contratos futuros voltou a ficar em torno de US$ 100. Por volta das 17h15, a commodity avançava 2,98%, a US$ 101,39.

Ao longo do dia, ações preferenciais da Petrobras, Prio e PetroRecôncavo avançaram 1,38%, 1,73% e 3,81%, respectivamente.

O cenário também afetou o mercado de juros futuros. O contrato DI, referência do mercado para a trajetória futura da Selic e CDI, com vencimento em janeiro de 2028, avançou 14 pontos-base, a 13,45%, enquanto o DI com vencimento em janeiro de 2035 teve alta de 13 pontos-base, a 13,50%.

"O comportamento dos juros futuros pesou sobre o setor financeiro, refletindo preocupações com crédito e atividade", diz Praça. Ações do Santander e Banco do Brasil recuaram mais de 3% cada durante o pregão, enquanto Bradesco caiu 2,94%.

Trump anunciou na terça-feira a prorrogação do cessar-fogo com o Irã. O norte-americano não estabeleceu um novo prazo, afirmando apenas que a trégua será estendida até que o Irã apresente uma proposta de trégua.

A segunda rodada de negociações entre Irã e EUA em Islamabad, capital do Paquistão, continua em suspenso, após autoridades iranianas não confirmarem participação e o vice-presidente americano, J. D. Vance, ter postergado sua viagem ao Paquistão. Vance participou das conversas entre os países no início de abril, que terminaram sem acordo.

O Irã se nega a participar das negociações enquanto os EUA mantiverem o bloqueio sobre o trânsito de navios iranianos no estreito de Hormuz - Teerã considera a medida uma violação do cessar-fogo.

Apesar de ter anunciado a prorrogação da trégua, Trump fez questão de ressaltar que o bloqueio continua. "Determinei que nossas Forças Armadas mantenham o bloqueio e permaneçam prontas e preparadas", escreveu Trump na véspera.

Enquanto o impasse persiste, o tráfego marítimo na via, por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito, permanece paralisado.

O alívio nas tensões geopolíticas foi o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nas últimas semanas. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.

Na segunda-feira (20), o dólar fechou a R$ 4,973, menor valor desde 7 de março de 2024, quando a moeda encerrou o dia a R$ 4,933.

O fluxo para emergentes já havia levado o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes no começo deste ano. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou, o que fez com que o dólar rompesse o piso de R$ 5 e se mantivesse abaixo da marca pela primeira vez desde 2024.

Para analistas, o Brasil tem se valorizado tanto pela distância em relação ao conflito quanto pelo diferencial de juros com os EUA.

 

IMAGEM: Freepik

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