Calotes nos cheques recuam, mas inadimplência subirá
É o que mostram diferentes indicadores. Houve redução no índice de cheques sem fundos e na taxa de endividamento das famílias. Mas a inadimplência deve aumentar, segundo o Banco Central

O ano começou com uma leve redução no índice de endividamento das famílias e na taxa de cheques sem fundos, segundo diferentes indicadores. Mas, segundo o Banco Central, a inadimplência - a falta de pagamento acima de 90 dias - apresenta um crescimento gradual. Esta mesma tendência foi apontada por pesquisas da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).
O indicador da Boa Vista que mede os calotes em pagamentos com cheques mostra que o percentual de cheques devolvidos pela segunda vez por falta de fundos recuou de 2,37% para 2,25% de dezembro a janeiro deste ano. Apesar disso, a taxa é maior do que em igual mês de 2015, quando estava em 2,02%.
No primeiro mês de 2016, o total de cheques movimentados ficou em 47,963 milhões e o de devolvidos em 1,129 milhão. Em janeiro, houve queda de 16,3% na quantidade de cheques sem fundos e de 15,9% na de movimentados.
O Indicador de Cheques Devolvidos da Boa Vista SCPC é a proporção de cheques devolvidos pela segunda vez por falta de fundos sobre o total de cheques movimentados, que engloba o montante de cheques compensados somados aos devolvidos.
Outro indicador que apresentou queda foi o de endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro nacional, que caiu de 45,8% em outubro para 45,6% em novembro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (24/02) pelo Banco Central.
O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses e incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE.
Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento apresentou uma queda em novembro, ficando em 26,5% da renda anual. Em outubro, estava em 26,8%.
CRESCIMENTO DA INADIMPLÊNCIA TEM SIDO GRADUAL
De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, em janeiro, a taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) das famílias chegou a 6,2%. No caso das empresas, a taxa ficou em 4,7%.
A inadimplência deve continuar a subir neste ano, em um ambiente de queda da atividade econômica e alta das taxas de juros, conforme projeção do Banco Central (BC).
Segundo Tulio Maciel, o chefe do Departamento Econômico do BC, a inadimplência, principalmente de pequenas e médias empresas é mais expressiva.
No caso das famílias, Maciel classificou o crescimento da inadimplência de “relativamente modesto”, em um cenário de retração da economia e aumento do desemprego.
Maciel disse que o aumento da inadimplência tem ocorrido de forma gradual, o que permite ao cliente dos bancos renegociar as dívidas e às instituições financeiras fazer adequações no nível de provisionamento (reserva de recursos para situação de inadimplência).
Segundo Maciel, o aumento das taxas de juros ocorre por influência de diversos fatores, como o crescimento da inadimplência. Ele enfatizou que as alterações nos juros do crédito não ocorrem somente por influência da taxa básica de juros (Selic), que não sido elevada pelo BC nos últimos meses.
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Com informações de Agência Brasil e Estadão Conteúdo

