Cláudio Humberto | Com Zambelli, recusa de extradições se multiplicam
“Lula transformou a caderneta da gestante em cartilha ideológica” - Deputada Carol de Toni (PL-SC) sobre termos lacradores no material usado pelo SUS

A decisão da Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, de rejeitar o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli feita pelo governo brasileiro se soma a pelo menos outros quatro casos de grande relevância, onde governos estrangeiros se recusam a mandar de volta ao Brasil figuras da direita brasileira. O primeiro foi o jornalista Allan dos Santos (EUA); depois outro jornalista, Oswaldo Eustáquio (Espanha); Joel Borges Corrêa, condenado no 8/jan, que ganhou refúgio político na Argentina; e o ex-deputado Alexandre Ramagem (EUA).
Lá não tem isso
No caso de Allan dos Santos, para os EUA os crimes apontados contra ele no Brasil seriam “crime de opinião”, que não existem por lá.
Evidente motivação
A Audiência Nacional da Espanha entendeu que o pedido brasileiro contra Oswaldo Eustáquio tinha “evidente conexão e motivação política”.
O primeiro
Em março, Joel Corrêa, com pena de 13 anos, se tornou o primeiro condenado pelo 8/jan a ganhar status de refugiado na Argentina.
Ouvidos moucos
O caso de Ramagem, o governo Lula pediu extradição no fim de 2025. Até hoje não andou, mesmo após a detenção por questões migratórias.
Comilança de lideranças da Câmara soma R$ 278 mil
Entre uma votação e outra na Câmara, a poucos metros do Plenário, a boca livre rola solta nas lideranças partidárias. Não corre o risco de os parlamentares rodarem uma vaquinha e bancarem os próprios quitutes. Sem dó, empurram ao pagador de impostos a fatura. PDT, Podemos, PSD, Psol, Solidariedade, União Brasil, Progressistas, PSDB e PT foram os partidos que serviram banquetes ao custo de R$ 278 mil.
Mortadela série ouro
O maior gasto vem da liderança do PT, que torrou, de fevereiro até agora, R$ 75.790 em canapés, conforme levantamento da coluna.
Larica petista
Só em março, foram R$ 33.735 gastos com buffet, cobrado por cabeça. As notas bancaram almoços e jantares das excelências.
Ta liberado
O União Brasil vem logo atrás, R$ 55.250 em fevereiro e abril. Em abril, gastou R$ 40.750. O buffet foi cobrado por cabeça, R$ 250.
Tende a aumentar
Com o STF agindo como parte interessada em um lado do espectro político, casos como o de Carla Zambelli se multiplicarão, denunciando lá fora o autoritarismo judicial disfarçado de “defesa das instituições”.
À la vontê
O Podemos também bancou jantares e almoços para os nobres deputados ao preço de R$ 42.910, apenas entre fevereiro e abril. Só em abril, o gasto com buffet bateu os R$ 17,6 mil.
Blá blá blá
Rogério Marinho (PL-RN) desmontou falatório de Fernando Haddad (PT) sobre ter feito o Brasil crescer. O senador lembrou a carestia no mercado e a inadimplência, “o governo Lula dá com uma mão e tira com as duas”.
Não tem essa
Após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, negar, outro quadro do partido diz que não há movimento para reavaliar pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O senador Marcos Rogério (RO) negou esse papo.
Free Zambelli
Eduardo Bolsonaro celebrou decisão da justiça italiana que rejeitou extradição de Carla Zambelli, “dia ruim para Moraes e ditadores de toga”, comemorou o ex-deputado que mora nos Estados Unidos.
Candidato a ministro?
Pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) reuniu-se com o ex-ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro, Adolfo Sachsida, e classificou o encontro como “raro e produtivo”.
Sem vergonha
Após editar decreto que a oposição classifica como censura às redes sociais; Lula (PT) esteve no programa “Sem Censura”, apresentado por Cissa Guimarães, que recebe R$ 100 mil por mês da estatal EBC.
Errou na fala
Daniel Vorcaro pode ter perdido o bonde. Em cortes inferiores, há diversos exemplos de delações premiadas rejeitadas, mas é caso raro no STF, que tipicamente homologa acordos com órgãos como MPF e PF.
Pensando bem...
...pode ser especial, mas é cela.
PODER SEM PUDOR
Falta de memória
Jânio Quadros percorria o país, na campanha presidencial de 1960, a bordo de um avião Convair e sempre na companhia do vice, Milton Campos. Dono de uma memória prodigiosa, Jânio repetia o mesmo discurso em todos os comícios, sublinhados por gestos teatrais. O vice, ao contrário, sempre mudava o tema. Certa vez em Governador Valadares (MG) Jânio o elogiou: “Dr. Milton, que maravilha! Um discurso para cada comício. Que cultura!”. “Não é cultura”, respondeu Campos, modesto, “é falta de memória mesmo”.
*Com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos
IMAGEM: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

