Com saques elevados, poupança tem pior resultado em janeiro

Poupadores resgatam recursos para honrar pagamentos e também migram para aplicações de renda fixa de rentabilidade superior

Redação DC
04/Fev/2016
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Com saques elevados, poupança tem pior resultado em janeiro

Mesmo com o rendimento de R$ 4,083 bilhões em janeiro, o volume de recursos da caderneta de poupança recuou em relação a dezembro porque o saldo de saques foi praticamente três vezes superior a esse valor, de R$ 12,031 bilhões. 

A quantidade de recursos que os investidores retiraram da poupança em janeiro, já descontadas as aplicações, foi a maior para qualquer mês da série histórica do Banco Central iniciada em 1995.

O que explica isso é a necessidade de resgate do recurso para honrar pagamentos no início do ano, o crescimento do desemprego e também a possibilidade de investidores migrarem para aplicações de renda fixa de rentabilidade maior e que aceitam tíquetes de entrada baixos, parecidos ao da caderneta. 

Para meses de janeiro, a pior marca da poupança havia sido registrada no ano passado, quando as retiradas ficaram R$ 5,528 bilhões maiores do que os investimentos. Já o saldo negativo mais forte de todos os tempos até então fora registrado em março de 2015, de R$ 11,438 bilhões.

O patrimônio da poupança brasileira saiu de R$ 656,589 bilhões em dezembro do ano passado para R$ 648,641 bilhões em janeiro. 

O QUE ACONTECE COM A CADERNETA

A acentuada queda de recursos da caderneta ocorreu após uma recuperação em dezembro do ano passado, com a injeção de recursos do pagamento do 13º salário

O saldo positivo de R$ 4,789 bilhões no último mês de 2015 interrompeu uma série de 11 meses de resultados negativos. Em outras palavras, ao longo de todo o ano passado, apenas em dezembro os depósitos superaram as retiradas.

Os dados mostram que os saques elevados ocorrem em meio a uma piora do cenário econômico, com o aumento do desemprego. Além disso, janeiro é um mês marcado pela concentração de pagamento de impostos e de gastos extras com matrícula e material escolar. 

As necessidades financeiras também fizeram os brasileiros retirarem da caderneta e, assim, sobrou pouco da renda para a aplicação na poupança. 

De acordo com o BC, o total de depósitos no mês passado foi de R$ 149,561 bilhões e o de saques, de R$ 161,592 bilhões. O saldo desse investimento está em R$ 648,641 bilhões, já considerando os rendimentos de R$ 4,083 bilhões de janeiro.

Outro ponto que pesa contra a poupança é que há no mercado investimentos mais rentáveis, atrelados aos juros, por exemplo, e que fizeram a caderneta perder o brilho. 

Marcos Daré, presidente do comitê de Varejo da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), diz que hoje o poupador tem a possibilidade de ter um retorno próximo do CDI (Certificado de Depósito Interbancário - taxa que acompanha a Selic) em aplicações conservadoras de renda fixa.

Esse é o caso de fundos de renda fixa simples, CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e letras de crédito imobiliário e do agronegócio. Apesar disso, esses produtos podem ter um tíquete mínimo de entrada que não condiz com a flexibilidade da poupança. 

"Se o investidor consegue um CDB de 90% a 95% do CDI está próximo de uma rentabilidade bruta (sem considerar Imposto de Renda) de 13,5% ao ano, com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e risco baixo", afirma. 

Nos fundos de renda fixa simples é possível aplicar valores menores. A rentabilidade bruta, sem considerar impostos e taxa de administração, foi de em média 13,96% no ano passado.  As taxas de administração, segundo levantamento da Anbima, partem de zero a 2,70% ao ano.

Nos fundos de renda fixa, de forma geral, quanto maior a aplicação menor é a taxa cobrada, oscilando de uma média de 2,82% ao ano para aplicações de R$ 1 a R$ 1 mil a 0,53% para quem investe mais de R$ 100 mil. O rendimento médio da aplicação em 

A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano e atualmente está em 14,25% ao ano.

Por conta da saída de recursos da poupança vista desde o início do ano, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de casas e apartamentos. 

Para minimizar esse quadro, o BC decidiu liberar os bancos no ano passado a usarem R$ 22,5 bilhões dos depósitos da poupança que são obrigados a manter na instituição para desembolsos nas operações de financiamento habitacional e rural. Mais recentemente, esses recursos foram liberados para serem usados também em investimento em infraestrutura.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo

 

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