Comércio e serviços adotam recontratação para reduzir custos

Intensificada, a troca por funcionários com remuneração menor indica expectativa de recuperação entre os empresários. Movimento já provoca queda no rendimento médio dos dois setores

Estadão Conteúdo
09/Set/2015
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Comércio e serviços adotam recontratação para reduzir custos

Dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE, indicam um movimento dos setores de comércio e serviços de recontratação de trabalhadores com remunerações menores. Em julho, o rendimento médio desses setores caiu em relação ao mesmo mês do ano passado, já descontados os efeitos da inflação.

A queda foi de 3,6% no comércio e de 1,9% nos serviços, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE. A recontratação impede um baque ainda maior sobre o emprego.

Para o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada, o achatamento salarial se deve à substituição de pessoas com salários mais elevados por trabalhadores que aceitem ganhar menos, processo que ocorre principalmente entre os que têm carteira assinada. Trata-se de uma saída para não esvaziar os estabelecimentos, em geral intensivos em mão de obra. "As remunerações estão caindo diante de um menor dinamismo desses setores", diz.

O cenário de crédito caro e escasso, inflação elevada e confiança em queda explicam a redução do consumo, segundo Bacciotti, fator por trás das demissões e da recontratação com salário menor. "Todos esses fatores têm trazido consequências negativas para os setores de serviços e comércio". Além disso, o economista destaca que alguns trabalhadores passaram a buscar alternativas em pequenos empreendimentos próprios. “Muitas vezes, isso significa renda incerta e menor.”

SAI EXPERIÊNCIA, ENTRA BAIXO CUSTO

A vendedora Rita de Cássia, de 33 anos, foi dispensada em julho, após trabalhar durante nove anos e meio numa livraria no Rio de Janeiro. Ela recebia R$ 1,2 mil mensais, um salário considerado elevado aos olhos dos chefes. Nos últimos meses, a empresa mandou embora funcionários antigos e contratou outros por um salário em torno de R$ 800, pouco acima do mínimo.

"Os empregados demitidos nos últimos meses são sempre os que estão há mais tempo na livraria e, portanto, recebem mais. Muitas lojas do grupo fecharam", conta Rita. "Vou tentar mudar de área, trabalhar com estética. Já fiz um curso. Mas a situação atual, as notícias que ouvimos, me deixam preocupada."

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci Júnior, os estabelecimentos de alimentação fora do lar, intensivos em mão de obra, reduziram o quadro de funcionários dentro de seus limites e depois passam para a substituição de trabalhadores. "A solução é fazer um turn over (renovação), já que não é possível cortar muitos empregados em restaurantes e bares", afirma.

O economista Bruno Fernandes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), acredita, porém, que o momento ainda não chegou ao ponto de demissões em massa.

"Quando o empresário não vê perspectiva de recuperação no curto prazo, ele ajusta a estrutura de custos com cortes. A troca se dá quando ele vê perspectiva de recuperação ", avalia.

Imagem: Thinkstock

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