Comércio mais confiante em fevereiro
Índice da FGV aponta alta de 0,7%, mas tendência para os próximos meses continua incerta, uma vez que o setor enfrenta demanda enfraquecida pela piora do mercado de trabalho

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) subiu 0,7 ponto em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Com o resultado, o Icom atingiu 69,1 pontos, o maior nível desde agosto de 2015 (69,3 pontos). Ainda assim, o patamar é historicamente baixo, segundo a instituição.
"A tendência para os próximos meses continua incerta, uma vez que o setor vem enfrentando uma demanda enfraquecida pela piora do mercado de trabalho e da situação financeira das famílias, baixos níveis de confiança do consumidor e instabilidade no ambiente político", avalia o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.
"Por dentro da sondagem, há vários sinais de que ainda não dá para comemorar", disse.
Um desses indicadores é o de emprego previsto, que caiu 3,3 pontos em fevereiro ante janeiro, ao menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010. "Isso é um sinal de que as reduções de pessoal ocupado no setor devem aumentar nos próximos meses", avaliou Campelo.
O aumento do custo da mão de obra deve estimular as demissões. Segundo a FGV, esse fator (em geral associado a períodos de aquecimento da economia) tem incomodado cada vez mais os comerciantes.
Em fevereiro, ele foi citado por 28,3% deles, um recorde na pesquisa, provavelmente devido à pressão do reajuste de 11,6% no salário mínimo em meio à queda nas vendas.
Outro ponto destacado é que o avanço das expectativas, que determinou a melhora no índice de confiança deste mês, foi sustentado pela redução do pessimismo, e não por um aumento do otimismo de empresários. "Não acho que exista motivação para crer em um ciclo de alta no indicador", afirmou Campelo.
Segundo o especialista, o consumidor continua com dificuldades para equilibrar seu orçamento e tem recorrido a suas economias para pagar despesas correntes. As incertezas em relação ao futuro também contribuem para frear o consumo, notou Campelo.
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Em fevereiro, a alta da confiança foi pontual e atingiu apenas quatro dos 13 segmentos. Em termos de horizonte, a melhora também foi concentrada no Índice de Expectativas (IE-COM), que subiu 2,1 pontos, para 75,3 pontos.
O avanço foi puxado pelo otimismo com as vendas previstas para os próximos três meses, que cresceu 4,0 pontos.
O Índice de Situação Atual (ISA-COM), por sua vez, recuou 0,7 ponto, para 64,4 pontos. A maior contribuição veio do quesito que mede o grau de satisfação com o volume atual da demanda, que caiu 0,9 ponto em relação a janeiro.
A coleta de dados para a edição de fevereiro da sondagem foi realizada entre os dias 01 e 23 deste mês e obteve informações de 1.219 empresas.

