Comércio tem queda nas vendas e estoques ainda altos
Levantamentos diferentes mostram a dura realidade dos varejistas: a redução do movimento de clientes e a dificuldade de girar produtos

O ano de 2015 foi marcado por uma retração nas vendas do varejo, acompanhada da preocupação de ajustar os estoques, para que ao mesmo tempo proporcionem giro ao caixa, sem que haja perda de clientes por falta de produto. Dois levantamentos, um da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) e outro da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), mostram essa realidade do comércio.
Em 12 meses até outubro, o movimento do comércio brasileiro caiu 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Boa Vista SCPC, na série sem ajuste sazonal.
No acumulado do ano até outubro, o movimento recuou 2,6% em relação a igual período do ano passado, também na análise sem ajuste. Já na comparação entre outubro e setembro, houve alta de 0,4%, dessa vez com ajuste sazonal.
O indicador entrou no território negativo em julho e, desde então, não saiu mais. Em vez disso, acelerou a queda. O cálculo é feito com base no número de consultas que as empresas do varejo fizeram à base de dados da instituição, que reúne informações dos consumidores.
Em nota, a Boa Vista SCPC atribui a piora do movimento a fatores macroeconômicos como elevação dos juros, aumento do desemprego e inflação, que afetam "de forma intensa a confiança e o poder de compra do consumidor".
"2015 deverá marcar a atividade varejista como um ano recorde na diminuição das vendas, efeito que provavelmente se estenderá também para 2016", afirma.
Dentre os setores, o de móveis e eletrodomésticos apresentou baixa de 4,3% nos 12 meses até outubro. Em relação a setembro, houve alta de 4,0%. A categoria tecidos, vestuário e calçados caiu 3,9% em 12 meses e registrou retração de 1,9% na comparação com setembro.
A atividade do setor de supermercados, alimentos e bebidas caiu 1,3% em 12 meses e ficou estável no mês. Por último, combustíveis e lubrificantes teve queda de 1,9% em um ano e apresentou baixa de 0,4% na variação mensal.
ESTOQUES AINDA ALTOS
Outra pesquisa da FecomercioSP mostra que a percepção dos empresários da Região Metropolitana de São Paulo em relação aos estoques melhorou em novembro. Houve um aumento no percentual de comerciantes que consideram o volume de mercadorias estocadas como adequado, de 45,8% em outubro para 47,2% em novembro.
Apesar disso, ainda é alto o percentual de empresários que estão com produtos demais nas lojas. Do total, 37,8% dos empresários ouvidos pela FecomercioSP consideraram seus estoques acima do adequado, o mesmo número do mês anterior e o segundo maior da série histórica, iniciada em junho de 2011.
Já o montante de empresários com estoques abaixo do esperado passou de 16,0% em outubro para 14,9% em novembro. Ainda assim, a assessoria econômica da entidade ressalta que o patamar é maior do que o observado no mesmo mês do ano passado, quando marcou 13,3%.
"A razão pode ser a estratégia que alguns empresários adotaram de reduzir o mix de produtos para garantir maior giro de mercadorias e menores custos de estoques", diz a nota técnica da FecomercioSP.
A entidade acredita que, neste fim de ano, os pedidos dos varejistas aos fornecedores devem ter sido bem menores do que em 2014, já que as expectativas de vendas para 2015 são de 5% a 10% inferiores em relação ao mesmo período do ano passado.
Desta forma, com os estoques ainda elevados às vésperas Black Friday e do Natal, a FecomercioSP acredita que pode haver promoções e liquidações neste final de ano. "Com isso, os assessores econômicos da entidade acreditam que o ciclo de estoques paulistano tende a se equilibrar mais adequadamente no início de 2016, resultado das vendas de fim de ano e do conservadorismo cada vez maior dos empresários", afirma a nota da entidade.
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