Confiança melhora, mas ainda é pior do que no ano passado

Índice de Confiança da ACSP aponta que 13º salário traz otimismo ao consumidor, mas efeito sazonal deve ser avaliado com atenção

Bárbara Ladeia
08/Dez/2014
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Confiança melhora, mas ainda é pior do que no ano passado

Uma boa notícia deve ser vista com cautela pelos comerciantes paulistas. Entre outubro e novembro deste ano, a confiança do consumidor, medida pelo Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo (INC/ACSP), avançou 5 pontos, para 153 pontos – 200 pontos é o grau máximo de otimismo.

Para Emílio Alfieri, economista da ACSP, a boa nova não deve ser lida como um sinônimo de vendas em alta em 2015. “A melhora é alentadora, mas tem um forte componente sazonal”, diz. Esse é um dos impactos da chegada do 13º salário na economia – com mais dinheiro no bolso, o consumidor melhora de humor e vê o cenário total com mais otimismo.

A prova dos nove deverá vir a partir de janeiro, quando será colocada em prática, efetivamente, a nova política econômica que, na expectativa de Alfieri, deverá ser pautada pela redução de despesas públicas, aumento de tributos e juros mais altos. “O primeiro trimestre será o verdadeiro teste para a economia”, afirma o economista.

Por enquanto, a melhora da confiança ainda não resultou em aumento do consumo. A intenção de compra dos consumidores subiu apenas 1 ponto percentual entre outubro e novembro – agora, 41% das mil pessoas consultadas espera fazer aquisição de produtos de maior valor agregado, como eletrodomésticos.

Na comparação com 2013, todos os indicadores apontaram redução de confiança – exceto o que mede a percepção da situação financeira atual. Hoje, 49% dos entrevistados consideram sua situação financeira boa, mais que os 46% em novembro do ano passado. 

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Alfieri entende que esse alívio tem a ver com a quitação de financiamentos e outras dívidas. Mais uma vez, o cenário de pouca confiança fez com que os consumidores corressem atrás de pagar o que estava em aberto, deixando mais salário no bolso. “Com menos parcelas, o orçamento fica mais líquido e então o consumidor se sente mais confortável na sua situação financeira”, diz.

Se esse momento otimista se confirmar no primeiro trimestre do ano que vem, o atual freio no consumo poderá se transformar em um bom prognóstico para 2016. “A partir do segundo semestre do ano que vem, o consumidor estará mais capitalizado para voltar às compras”, diz Alfieri. 

CLASSE C SEGUE OTIMISTA

Ao passo que as classes A e B perderam parte de seu otimismo – de 130 pontos para 127 pontos no Índice Nacional de Confiança da Associação Comercial de São Paulo – os representantes da chamada classe emergente se mostram mais animados. O INC chegou a 164 pontos em novembro, contra 156 em outubro. Nas classes D e E, o avanço foi de 137 pontos para 146 pontos em novembro.

Alfieri acredita que o resultado das eleições gerou efeito sobre as classes de menor poder aquisitivo, que também passaram a ter uma posição de maior segurança no emprego. Entre os entrevistados pela pesquisa, 41% se sentem seguros no trabalho – essa parcela não passava dos 36% em outubro. “Essas pessoas têm menos percepção de que será necessário um ajuste na economia e, por isso, estão mais otimistas do que as classes de maior renda”, avalia.

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