Consórcio RZK vence concessão para nova sede do Governo de SP
Contrato terá prazo de 30 anos com investimento total estimado em R$ 6 bilhões. Desconto para proposta ganhadora é de 9,62% sobre contraprestação pública mensal máxima. Novo complexo receberá o nome da escritora Silvia Maria Dellivenneri Domingos, esposa do secretário de governo Guilherme Afif Domingos

O consórcio formado pelas empresas brasileiras RZK Empreendimentos Imobiliários, Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat e Iron Property venceu a concessão da parceria público-privada (PPP) para a construção e gestão da nova sede do governo de São Paulo no Campos Elíseos, no Centro da Capital paulista. O grupo ofereceu desconto de 9,62% no valor mensal que vai receber do Estado para administrar o complexo.
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) previa contraprestação mensal máxima de cerca de R$ 76 milhões. O consórcio ofereceu realizar o serviço por cerca de R$ 69,225 milhões. Outro consórcio, formado pela espanhola Acciona e pela brasileira Construcap, havia oferecido desconto de 5%. Só os dois grupos participaram do leilão.
"O Campos Elíseos, o primeiro bairro planejado de São Paulo, que nasceu para servir a aristocracia do café, inspirado na Paris do século 16, e de repente se perdeu. Virou uma área degradada, da qual as pessoas começaram a se afastar. Esse projeto vai deixar um legado. Vamos resgatar o Centro da cidade", afirmou o governador.
A previsão é que o contrato com o consórcio vencedor seja assinado por volta do meio do ano. "É o maior projeto brasileiro de revitalização. Vamos fazer de tudo para virar realidade o mais rápido possível", afirmou o engenheiro civil Felipe Mahana, diretor da M4, integrante do consórcio. A Assembleia Legislativa precisa aprovar o projeto de financiamento do complexo.
"Já mandamos o projeto de lei. Por favor, celeridade para começarmos essas obras o mais rápido possível", afirmou o secretário de Parcerias em Investimentos do Estado, Rafael Benini.
No final do evento, Tarcísio propôs que o Centro Administrativo seja batizado com o nome da escritora Silvia Maria Dellivenneri Domingos, esposa de um dos principais defensores do projeto, o secretário especial de Projetos Estratégicos do Governo de São Paulo Guilherme Afif Domingos. 'Dona Silvia', como era carinhosamente conhecida, morreu em 2024 aos 74 anos.
Ao justificar a motivação do projeto, Afif reforçou a diretriz de integração urbana. "O governo tem que estar onde o povo está. Ao contrário do que acontece hoje na Faria Lima, com prédios lindos, mas com grade na porta. Aqui não tem grade."
Como será
Uma das principais promessas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o projeto pretende criar uma esplanada nos arredores do Parque Princesa Isabel, para onde serão transferidas as sedes de secretarias e órgãos estaduais. A previsão é de que as obras comecem no próximo ano e sejam entregues a partir de 2028.
O contrato, que inclui a administração e zeladoria de 60 mil m², tem duração de 30 anos. A concessão prevê investimento de R$ 6 bilhões em melhorias. A intenção do governo estadual é transferir a sede de diversas secretarias e órgãos públicos para o Campos Elíseos.
A região que passou por processo de degradação recente, com o espalhamento dos usuários de drogas da Cracolândia e a recorrência de roubos e furtos. Além disso, a pandemia motivou o fechamento de lojas e restaurantes e a alta na população de moradores de rua, incluindo famílias inteiras. De acordo com o governo, cerca de 22 mil servidores passarão a trabalhar no complexo, que inclui prédios em cinco quadras ao redor do Parque Princesa Isabel.
O projeto prevê a requalificação da região, incluindo o restauro de 17 imóveis tombados e a ampliação de 40% das áreas verdes. A zeladoria e segurança do Parque Princesa Isabel e do Largo Coração de Jesus serão de responsabilidade da concessionária.
O Terminal Princesa Isabel será transferido para a rua Cásper Líbero e passará a operar integrado às estações Luz, do metrô e da CPTM, e Júlio Prestes, consolidando o eixo rodometroferroviário no centro da capital. O Palácio dos Bandeirantes continuará como residência oficial do governador. A sede administrativa do governo paulista, porém, será transferida para o Palácio dos Campos Elíseos, entre a Alameda Glete e a Avenida Rio Branco.
IMAGEM: Divulgação/GovSP

