Consumidor ainda está cauteloso para ir às compras

De acordo com a CNC, o endividamento das famílias está alto por causa da manutenção da taxa de juros em patamar elevado e da instabilidade do mercado de trabalho

Estadão Conteúdo
28/Set/2016
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Consumidor ainda está cauteloso para ir às compras

As famílias estão mais endividadas em setembro que no mês anterior. Por isso, o cenário atual é de cautela, segundo o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Bruno Fernandes.

Indicador da entidade mostra que os consumidores não têm perspectivas de voltar às compras tão cedo.

"O que a pesquisa mostra é que, em relação ao mês anterior, a confiança do consumidor saiu do fundo do poço. Mas ainda não é possível considerar uma retomada do consumo. O que houve foi uma retomada leve da confiança, mas não o suficiente para que as famílias continuem se endividando", avalia Fernandes.

A visão da CNC é que o ano de 2016 já está dado e que não há, no curto prazo, como reverter os reflexos negativos na economia.

A perspectiva é que mesmo o Natal, quando o consumo aumenta, será pior do que o de 2015. "Enquanto tivermos taxa de juros alta, mercado de trabalho ruim e inflação elevada, estaremos limitados a recuperações leves, como a atual", afirmou.

Em 2017, "pode haver uma recuperação", diz o economista. Mas a virada do comércio vai depender do comportamento desses vetores macroeconômicos: custo do crédito, preços e emprego, segundo Fernandes.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela CNC, mostra que 58,2% das famílias brasileiras estão endividadas, resultado superior ao de agosto (58%), porém, inferior ao registrado em igual mês de 2015, de 63,5%.

"A retração do consumo, em virtude da persistência da inflação e da contração da renda, além do elevado custo do crédito, explica essa redução na comparação anual", afirma Fernandes.

De acordo com a confederação, a manutenção das altas taxas de juros e a instabilidade do mercado de trabalho ampliaram o porcentual das famílias com contas ou dívidas em atraso, tanto na comparação mensal como na anual.

Em setembro de 2015, o porcentual era de 23,1% e agora, de 24,6%. Em julho, foi de 24,4%.

Em setembro, 9,6% das famílias afirmaram à CNC que não têm como pagar suas dívidas de cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. O resultado é maior do que o de agosto, de 9,4%, e que o de igual mês de 2015, de 8,6%.

A proporção dos que afirmaram estar muito endividados diminuiu de agosto para setembro, de 14,6% para 14,4% do total.

Na comparação anual, no entanto, houve aumento de 0,5 ponto porcentual. O tempo médio das contas atrasadas ficou em 63,2 dias, sendo que o tempo médio de comprometimento com dívidas ficou em 7,1 meses.

Do total das famílias brasileiras, 21% estão com mais da metade da sua renda comprometida com o pagamento de dívidas. O cartão de crédito permanece no topo da lista do tipo de dívida, com 76,3%, seguido do carnê (14,8%) e do financiamento de carro (10,9%).

FOTO: Thinkstock 

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