"Crise econômica vai ficar pior e mais profunda"

José Roberto Mendonça de Barros, economista e sócio da MB Associados, diz que melhora pode ser esperada somente após as eleições de 2016. Enquanto isso, empresas devem reforçar práticas de gestão

Estadão Conteúdo
25/Set/2015
  • btn-whatsapp
"Crise econômica vai ficar pior e mais profunda"

José Roberto Mendonça de Barros, economista e sócio da MB Associados, afirma que se a crise econômica pela qual passa o Brasil está ruim, "vai ficar pior e mais profunda do que se imaginava".

"A MB Agro projeta queda de 2,5% para o Brasil este ano e recuo de 1,4% para o ano que vem. Até a eleição municipal de 2016, a situação vai ser muito difícil. A partir de 2017, haverá uma substancial melhora e uma consolidação da economia nesta transição", disse o economista.

Nesta sexta-feira (25/09), Mendonça de Barros participou de um evento sobre o mercado de capitais e o agronegócio, promovido pela consultoria Ecoagro e pela Pinheiro Neto Advogados.

Além de crescimento negativo, o economista comentou que a MB Associados estima que, ao fim de 2015, a taxa de desemprego deve chegar a 10%.

Como consequência deste fator, o consumo das famílias também deve cair. "A retomada vai ser devagar, mas não significa que não voltaremos a crescer", afirmou Mendonça de Barros.

Com relação à inflação, a MB Associados projeta 10% para 2015 e 5,6% em 2016.

Ainda para o ano que vem, além da desaceleração da inflação no próximo ano, Mendonça de Barros projeta melhora do saldo comercial brasileiro, por conta das exportações de commodities.

"Achamos que o Banco Central não vai aumentar a taxa de juros (Selic). Não tem razão para fazer isso e não deveria fazê-lo", disse.

Enquanto a balança comercial brasileira deve ficar em US$ 14,4 bilhões este ano, a MB projeta, para o ano que vem, US$ 30 bilhões.

Tendo em vista as mudanças em curso no cenário político e econômico do país, o economista alertou que as empresas brasileiras precisão promover mudanças de gestão para sobreviver à crise.

"Os negócios não poderão mais se basear em favores fiscais e crédito subsidiado, em todas as esferas de governo", disse.

Mendonça falou ainda que as empresas precisam fazer um esforço para melhorar suas práticas internas e usar a força de seus bons balanços para buscar a consolidação.

"Vamos ter uma gigantesca consolidação dos ativos brasileiros". Por fim, o economista reforçou que o agronegócio brasileiro tem posição favorável no cenário. "É um setor competitivo internacionalmente e tem em seu modelo de negócios o avanço tecnológico".

DILMA NÃO CHEGA ATÉ 2018

Para Mendonça de Barros "não há chances do atual governo (da presidente Dilma Rousseff) chegar até 2018".

"Desde junho, 100% dos analistas políticos estavam convencidos de que este governo não tem chances de recuperação. A partir de agosto, o que era consensual ficou definitivo. E se isto é verdade, até as eleições de 2016, algo vai acontecer", afirmou o economista.

O economista comentou também sobre as limitações enfrentadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para promover mudanças econômicas.

"A situação econômica é difícil porque o ministro da Fazenda vem perdendo todos os embates", disse.

Mendonça de Barros apontou que a inadimplência dos estados é grave. "Dez deles não estão pagando os salários", concluiu. 

FOTO: Estadão Conteúdo 

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada