Cuidado que o santo é de barro
Os doadores se abrigam nos partidos que costumam eleger seus candidatos para terem mais facilidade para roubar o Estado e os contribuintes
O ministro Gilmar Mendes pediu ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que investigue a origem do dinheiro que serviu para pagar a campanha da candidata Dilma Rousseff, do PT, à reeleição à presidência da República, no ano passado.
O ministro desconfia que a campanha petista pode ter usado dinheiro sujo. O PT indaga porque o ministro não agiu "com imparcialidade" solicitando simultaneamente que o procurador investigasse também a fonte em que o adversário de Dilma, o tucano Aécio Neves, sacou as doações que serviram para quitar sua campanha, igualmente milionária.
Para os eleitores que ainda não sabem, Dilma e Aécio gastaram, juntos, R$ 600 milhões em suas campanhas, isto é, cada um dos candidatos gastou cerca de R$ 300 milhões.
Pergunta-se:
1- Será que Dilma tirou R$ 300 milhões de sua bolsa a tiracolo;
2- Será que Aécio sacou outros R$ 300 milhões do próprio bolso;
3- Ou será que Dilma e Aécio sacaram os R$ 600 milhões dos falidos cofres do PT e PSDB?
Nada disso: os dois candidatos se socorreram financeiramente de empresas privadas, sendo que algumas delas fazem doações via caixa-dois. É crime eleitoral. É preciso esclarecer também que o grosso das doações das empresas é feito a candidatos a cargos executivos que vão ganhar as eleições.
As empresas não doam grandes quantias para candidatos que se lançam sabendo que vão perder as eleições. Os doadores não apostam suas fichas no número da roleta que não vai dar.
No caso da eleição presidencial de outubro último, Dilma e Aécio se valeram de pesquisas que indicavam que um dos dois seria eleito presidente da República, para arrancar os R$ 600 milhões dos cofres dos empreiteiros, alguns deles provavelmente presos na Operação Lava-Jato por seu envolvimento em escândalos, como o das propinas na Petrobrás.
Os empreiteiros - ou qualquer outra categoria de empresários - não iriam doar R$ 600 milhões a apenas dois políticos, caso não tivessem a garantia de que receberiam os valores doados de volta após a eleição e a posse do candidato vitorioso.
Só que o dinheiro de volta vem acrescido de juros, correção monetária e, na maioria dos casos, com as obras contratadas sendo superfaturadas. É desse excesso de dinheiro devolvido a mais que geralmente saem as propinas que são pagas a diretores corruptos das estatais.
Os doadores se abrigam nos partidos que costumam eleger seus candidatos para terem mais facilidade para roubar o Estado e os contribuintes. No caso das últimas eleições presidenciais, por exemplo, os corruptores se ligaram ao PT porque sabiam que o partido elegeria seus candidatos.
É por isso que o PT é o partido mais envolvido na corrupção na Petrobrás. O mesmo aconteceu no escândalo dos 12 anos de propinoduto no Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo, em que os envolvidos na roubalheira são tucanos ligados aos governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
Não se tem notícia até hoje de que algum tucano esteja sendo investigado nesse episódio fraudulento.
O ministro Gilmar Mendes agiu corretamente em parte, ao procurar saber a fonte de onde saiu o dinheiro da campanha da presidente Dilma; mas, por que o ministro discriminou seu pedido ignorando que a mesma quantia foi gasta também na campanha de Aécio?
Esse tipo de comportamento inspira aos petistas mais radicais e mais inconsequentes a dizer, maldosamente, que o ministro é "líder do PSDB no Supremo". Um exagero, evidentemente.
Os petistas lembram ainda que dois dos delatores que prestaram depoimentos na Operação Lava-Jato declararam que já recebiam propinas na Petrobrás nos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso.
A reclamação do PT é que nem com essa afirmação dos delatores, os governos de FHC estão sendo investigados. Lembram, também, que outro delator denunciou o senador Aécio Neves na Lava Jato de se utilizar de dinheiro (sujo?) de Furnas.
A onda de reclamação do PT envolve também a imprensa, que "não divulga" as notícias desfavoráveis ao PSDB, como as denúncias contra FHC e Aécio feitas na Operação Lava Jato. Para os petistas, foi implantada no país um novo tipo de corrupção, a corrupção seletiva, isto é, "corrupção do PSDB, pode".
O noticiário político das últimas horas foi pródigo em divulgar que o senador Aécio Neves aplaudiu o ministro Gilmar Mendes por querer saber a origem do dinheiro da campanha da presidente Dilma Rousseff.
Para o PT, "é o óbvio ululante" que o senador tucano aplauda o ministro. "Afinal - diz o partido- o adversário que perdeu a eleição para Dilma foi preservado."

