Custo da construção sobe menos em setembro
Índice de confiança dos empresários nos negócios diminui, de acordo com pesquisa da FGV

O Índice Nacional de Custo da Construção - Mercado (INCC-M) subiu 0,22% em setembro, o que representa forte desaceleração ante a alta de 0,80% registrada em agosto, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
De janeiro a setembro, o INCC-M acumula avanços de 6,38% e, em 12 meses, de 7,19%.
O grupo materiais, equipamentos e serviços registrou variação positiva de 0,46% em setembro, após o avanço de 0,27% apurado no mês anterior.
Dentro deste grupo, o item materiais e equipamentos subiu 0,34%, ante 0,19% em agosto, enquanto o de serviços teve elevação de 1,05%, ante 0,52%.
O índice referente a mão de obra avançou para 0,92%, após ficar em 0,58% em agosto.
Das sete capitais pesquisadas, três apresentaram aceleração em suas taxas de variação: Salvador (-0,08% para 0,18%), Belo Horizonte (0,24% para 0,30%) e São Paulo (0,14% para 0,36%).
As outras quatro registraram um recuo na taxa de variação: Brasília (3,04% para a estabilidade aos 0%), Recife (0,02% para -0,18%), Rio de Janeiro (0,23% para -0,02%) e Porto Alegre (3,43% para 0,21%).
CONFIANÇA
O Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 6,5%, entre agosto e setembro, para 65,9 pontos.
Essa é a maior queda do índice desde março de 2015, quando houve queda de 9,1%. No acumulado anual, o ICST apresenta perda de 29,6 pontos (variação de -31,0%). Em relação a igual mês do ano passado, o ICST caiu 35,1%.
A piora do índice em setembro foi resultado, principalmente, da falta de confiança do empresariado em relação ao estado atual dos negócios.
De acordo com a FGV, o Índice da Situação Atual (ISA-CST) caiu 11,2%, para 49,4 pontos, recorde negativo histórico. Já o Índice de Expectativas (IE-CST) apresentou queda bem menor: de 3,5%, chegando a 82,4%.
A queda do ISA-CST, em setembro, foi influenciada principalmente pelo indicador que mede o grau de satisfação das empresas com a situação atual dos negócios, que recuou 11,3%, para 47,3 pontos.
O recuo do IE-CST foi provocado, principalmente, pela queda do quesito que mede as perspectivas em relação à evolução da situação dos negócios para os próximos seis meses, que recuou 3,5% (3,0 pontos) entre agosto e setembro, até 82,4 pontos.
Para Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/IBRE, a retração do setor deve ter reflexo no PIB e no emprego.
"Até agosto, os resultados da sondagem apontavam uma desaceleração da queda do ICST, parecendo indicar que o setor estaria mais próximo do fundo do poço de sua crise", cita ela em relatório.
A questão financeira continua sendo um agravante do cenário setorial. Em setembro, 47,0% das empresas sinalizaram que está mais difícil conseguir crédito para os seus projetos no momento.
Há um ano, a dificuldade era apontada por 22,5%. No caso do IE-CST, o quesito que mais contribuiu para queda foi o que mede as perspectivas em relação à evolução da situação dos negócios para os próximos seis meses, que cedeu 3,5% (3,0 pontos) entre agosto e setembro, para 82,4 pontos.
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