Dia das Crianças: maioria dos consumidores não vai aumentar gastos
Neste ano, os produtos que aparecem no topo da lista dos presentes estão roupas (42,8%), bonecos e bonecas (36,5%) e jogos educativos (24,8%)

Os gastos do consumidor com o Dia das Crianças deste ano não devem apresentar crescimento expressivo em relação aos do ano passado.
Os brasileiros vão gastar menos neste Dia das Crianças. É o que mostra uma pesquisa da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), segundo a qual caiu de 75% para 66% o total de consumidores que pretendem comprar presentes na data comemorativa.
A queda na intenção de compra é causada pelo aumento dos preços dos produtos e pela intenção de priorizar o pagamento de contas.
O valor médio do presente neste Dia das Crianças vai ser de R$ 173,82, cerca de 7,6% menor que o preço médio registrado em 2015. Mais da metade dos entrevistados (56%) pretende gastar quantia igual ou menor que no ano passado. De acordo com o levantamento, 22% dos consumidores que vão economizar no presente justificam a decisão por contenção de compras, 13% por redução de renda ou salário e 9% afirmam estar desempregados.
Um quarto dos consumidores (26%) tem a intenção de gastar até R$ 50 com o presente, enquanto 31% devem despender entre R$ 51 e R$ 100. Além disso, 76% comprometerão menos de 25% da renda familiar para a compra do presente em 2016.
Em relação aos presentes, 43% dos consumidores optarão por brinquedos. Eletrônicos e telefonia e tablet e celular aparecem empatados (28%) como itens preferidos, seguidos de smartphone (17%), videogame (13%), TV (6%), tablete (3%), aparelho de som (3%) e MP3 (2%).
ENDIVIDAMENTO ALTO
Má situação financeira, endividamento, inflação alta e instabilidade econômica fazem com que os brasileiros não tenham intenção de gastar mais do que no mesmo período do ano passado.
Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostra que 57,8% dos entrevistados pretendem gastar menos ou o mesmo valor com os presentes em relação ao ano passado.
Os 28% que dizem esperar gastar mais têm como justificativa o aumento de preços dos produtos (31,2%). O valor médio total gasto será de R$ 221,61.
De acordo com o levantamento, 44,3% dos entrevistados pretendem comprar três ou mais presentes. Um terço (32,6%) ainda não sabe quanto vai gastar, mas a maioria pretende desembolsar entre R$ 101,00 e R$ 300,00.
"A piora da economia ao longo do ano, com o aumento do desemprego, a inflação ainda elevada e o crédito mais restrito exerceram forte impacto sobre o consumidor, que já está com as finanças prejudicadas e tem que honrar os compromissos para não ficar com o nome sujo ou piorar a sua situação", afirma o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.
Entre os entrevistados, 40,9% afirmam escolher os presentes sozinhos e 30,8% decidem em conjunto com a criança. Mas, para evitar gastos desnecessários, 81% declararam que vão realizar algum tipo de pesquisa de preços antes de efetuar a compra.
Neste ano, os produtos que aparecem no topo da lista da pesquisa estão roupas (42,8%), bonecos e bonecas (36,5%) e jogos educativos (24,8%).
Em busca de melhores preços e promoções, a maioria dos consumidores (52,3%) têm preferência pelos shoppings. Depois, aparecem as lojas de departamentos (32,3%), internet e lojas virtuais (25,5%) e lojas de rua (25%).
INTENÇÃO DE COMPRA É A MENOR EM 11 ANOS
A Sondagem do Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre) indica que a intenção de compras de presentes para o Dia das Crianças é a menor dos últimos 11 anos.
De acordo com a pesquisa, 44,9% dos entrevistados pretendem reduzir os gastos em relação ao ano anterior, frente aos 41,1% verificados na sondagem de 2015.
O grupo que pretende gastar a mesma quantia caiu de 54,8% para 50,8%, enquanto os que pretendem gastar mais representam 4,2% dos consumidores, quantidade estável na comparação com o ano anterior.
"Esse resultado reflete a cautela das famílias com o orçamento doméstico, que ainda está comprometido com prestações de compras anteriores", informa, em nota, a coordenadora da Sondagem do Consumidor, Viviane Seda Bittencourt. Também influencia as famílias, segundo a coordenadora, o mercado de trabalho ainda em fase descendente.
Segundo outra pesquisa do FGV/Ibre divulgada esta semana, a variação média dos produtos e serviços mais procurados no Dia das Crianças foi de 7,19%, abaixo da inflação de 8,10% acumulada pelo IPC/FGV entre outubro de 2015 e setembro de 2016.
Os três produtos mais buscados são brinquedos (55,4%), roupas (24,5%) e livros (5,3%).
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Atualizado às 20h

