É hora da participação de todos
Caberá às entidades empresariais -de forma unida, se possível -colaborar com sugestões, acompanhar as discussões das propostas de mudanças e atuar junto ao Congresso
Tudo indica que o Brasil terá um novo governo em maio, em decorrência da evolução do processo de impeachment, inicialmente em caráter temporário, e depois para concluir o atual mandato presidencial.
Isso abre perspectivas de mudanças positivas nos cenários político e econômico, com reflexos benéficos sobre o campo social.
É evidente que a simples mudança da presidência não resolverá os múltiplos e graves problemas que o País enfrenta.
Mas abre uma grande oportunidade para que se comece a adotar medidas absolutamente necessárias para a reorganização das finanças públicas, mesmo que de forma gradativa, mas baseadas em um programa consistente de ajuste no médio prazo, como condição para estancar o processo de desaceleração e desorganização da economia, e conter o crescimento do desemprego e da desesperança.
A responsabilidade pela realização das mudanças indispensáveis não pode ser apenas do novo presidente. Caberá a ele montar uma equipe de colaboradores competentes, com base na confiança e no compromisso maior com a nação, e não com partidos ou grupos, e formular diretrizes e proposições.
A responsabilidade também é do Congresso Nacional, onde deverão ser votadas medidas muitas vezes impopulares, mas necessárias para o restabelecimento da confiança no governo e no País.
Deve-se aproveitar a oportunidade da constituição da nova equipe, para reduzir de forma significativa o número de ministérios, o que sinalizaria a disposição de reduzir os gastos públicos.
Caberá às entidades empresariais - de forma unida, se possível - colaborar com sugestões, acompanhar as discussões das propostas de mudanças e atuar junto ao Congresso, não para defender posições setoriais, mesmo as mais legítimas, mas, no primeiro momento, para apoiar ou mesmo pressionar os parlamentares se for o caso, para aprovação da pauta mínima necessária para a retomada da economia.
É legítima a participação de uma oposição Congresso, na defesa de seus princípios e posições, sem, contudo, se colocar contra tudo, apenas por ser contrária ao novo governo.
A disputa política não pode se sobrepor aos interesses do Brasil, provocando instabilidade ou agravando as dificuldades.
Preocupam as anunciadas intenções de autodenominados movimentos sociais. Muitos deles recebem - direta ou indiretamente - recursos públicos, e promovem manifestações, invasões de propriedades e outras ações visando a paralisar cidades ou rodovias, com o intuito de protestar contra o impeachment ou infernizar a vida do novo governo, punindo, na verdade, a população.
Essa posição sectária e antidemocrática revela a verdadeira face desses movimentos: a de procurar impor suas posições pela baderna ou pela violência.
As autoridades precisam atuar para proteger o patrimônio público e o privado e assegurar a integridade física e o direito à locomoção da população.
Quanto aos empresários, embora não possam esperar melhora imediata das condições da economia, é preciso que procurem evitar adotar medidas que contribuem para aumentar a crise, sobretudo no tocante ao emprego, na expectativa de que, gradativamente, o cenário possa melhorar.
A mobilização da sociedade, que tanto contribuiu para o andamento do processo de impeachment na Câmara, precisa continuar sua mobilização para a aprovação definitiva no Senado, para que o Congresso aprove as medidas necessárias para reativar a economia e para que se realizem mudanças -mesmo que pontuais -na legislação, a fim de que se possa reduzir o número de partidos e garantir o compromisso dos parlamentares e governantes eleitos com seus eleitores.
Essa mobilização precisa também continuar no apoio ao combate à corrupção, para que todos os que forem comprovadamente culpados sejam severamente punidos.
Vamos acreditar no Brasil, mas, principalmente, trabalhar pelo Brasil.

