Em dólar, Brasil tem um dos carros mais baratos do mundo
O presidente da Anfavea, Luiz Moan (foto), diz que um veículo popular custa o equivalente a US$ 7 mil. Mas o problema são os impostos, que somam mais US$ 2 mil

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou nesta segunda-feira (11/01) que o carro brasileiro está entre os mais baratos do mundo, se cotado em dólar. O problema é o peso dos impostos, de cerca de 30% sobre o valor total.
Em outro evento, em Detroit, Carlos Ghosn, presidente global da Renault-Nissan, disse que a queda nas vendas de veículos no Brasil e na Rússia serão compensadas pelo avanço em outros mercados, como a China e os Estados Unidos.
Moan explicou que o automóvel brasileiro está mais barato por causa da variação cambial."Hoje temos veículos sendo comercializados no Brasil por menos de US$ 7 mil. Com o câmbio do jeito que está, o Brasil tem um dos carros mais baratos do mundo", disse, antes de ser questionado sobre o fato de o brasileiro ganhar em reais.
"Sim, mas lembrando que este veículo de US$ 7 mil tem mais de US$ 2 mil de impostos", respondeu. Moan explicou que fez a conta em dólares porque em 2012, quando o dólar chegou ao patamar de R$ 1,50, o carro brasileiro foi tratado como o mais caro do mundo.
Segundo o presidente da Anfavea, entre 2004 e 2015, a inflação do Brasil superou 85%, enquanto os preços dos carros subiram 4% no mesmo período. Ele atribuiu o fato à elevada competitividade do setor no Brasil.
As afirmações foram feitas após reunião com o ministro do Planejamento, Valdir Simão. Mesmo afirmando que a associação não pediu ajuda ao governo e entende a importância do ajuste fiscal, Moan defendeu a redução de tributos.
"O que sempre queremos é que haja ajuste na carga tributária aos níveis internacionais", disse. Sobre a redução de IPI para veículos, que já foi adotada pelo governo petista, ele afirmou que não acha "que foi um programa de desoneração, mas um programa de ajuste temporário da mais alta carga tributária sobre veículos do mundo".
O presidente da Anfavea disse ainda que a associação projeta para 2016 um crescimento de 0,5% na produção de veículos do país. Segundo ele, a expectativa é que o ano se encerre com um recuo de 7,5% nas vendas do mercado interno, associado a uma expansão de quase 9% nas exportações de veículos.
LÁ FORA
O presidente global da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, afirmou que avanços nas vendas de veículos nos Estados Unidos e na China em 2016 ante 2015 deverão compensar o enfraquecimento do mercado automotivo no Brasil e na Rússia. A declaração foi dada durante a realização do Salão de Detroit, nos EUA.
Em 2015, as vendas de automóveis e comerciais leves da Nissan no Brasil recuaram de 73,2 mil para 61,2 mil unidades, queda de 15%. No caso da Renault, o volume caiu de 237,1 mil para 181,5 mil, baixa de 23%.
Apesar das perspectivas pouco animadoras para o mercado automotivo nacional em 2016, a Nissan lançou na semana passada um plano de negócios de R$ 750 milhões em três anos para avançar no segmento de SUVs, com o lançamento do Kicks, que será produzido na fábrica de Resende (RJ) e chegará ao mercado ainda este ano.
Ghosn disse na semana passada que o investimento da montadora não é um contrassenso porque a crise passou longe do segmento de utilitários esportivos.
FOTO: Agência Brasil

