Emprego formal recua em setembro

Foi o sexto mês seguido em que as demissões superam as contratações. No ano, país já perdeu 657 mil vagas. O pessimismo dos comerciantes com as vendas de final de ano tem acentuado esse quadro negativo

Estadão Conteúdo
23/Out/2015
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Emprego formal recua em setembro

No mês de setembro o Brasil fechou 95.602 vagas formais de emprego, segundo informou nesta sexta-feira (23/10) o Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social. Foi o pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 1992. 

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) são fruto de 1.326.735 admissões e 1.422.337 demissões no mês passado. 

Para o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores, a baixa expectativa do comércio para as vendas de fim de ano afetou a geração de empregos formais em setembro. No mês, o comércio encerrou 17.253.  

"Se o comerciante espera um Natal fraco, ele não vai contratar. E setembro costuma ser mês de contratação para as empresas que se preparam para o movimento maior de fim de ano", disse.

Entretanto, o setor de serviços foi o responsável pelo maior número de vagas formais de trabalho fechadas em setembro. No total, foram encerrados 33.535 postos no setor.

No geral, considerando todos os setores, desde janeiro deste ano o saldo de postos fechados é de 657,8 mil. No acumulado dos últimos 12 meses o país fechou 1,24 milhão de vagas. 

PESSIMISMO

A situação do emprego no Brasil tende a piorar no início de 2016 de acordo com Paulo Eduardo Nogueira Gomes, economista-chefe da AZ FuturaInvest. "Deve haver uma redução ainda maior dos postos de trabalho no País em janeiro porque podem ocorrer demissões de funcionários contratados temporariamente para o final do ano”, afirmou.

Gomes nota ainda que os dados sugerem que há uma maior diminuição do emprego formal do que nos empregos em geral. "A Pesquisa Mensal de Empregos mostrou que houve estabilidade na taxa de desemprego, enquanto o Caged aponta para diminuição da formalidade. Esse é um sinal negativo e mostra que os trabalhadores estão ficando mais desamparados", disse.

Segundo análise do banco britânico Barclays, os dados do Caged  sugerem que a deterioração no mercado de trabalho brasileiro será prolongada, durando ainda vários trimestres. "Isso reduzirá a renda disponível e prejudicará o consumo das famílias", afirma o banco.

IMAGEM: Estadão Conteúdo

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