Empresários de serviços e indústria estão mais confiantes

Índice da FGV mostra que a confiança da indústria melhorou em janeiro e chegou ao maior nível desde março

Estadão Conteúdo
29/Jan/2016
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Empresários de serviços e indústria estão mais confiantes

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu 2,8 pontos na passagem de dezembro para janeiro, na série com ajuste sazonal, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o ICS saiu de 67,6 pontos para 70,4 pontos no período. Para a instituição, os dados demonstram redução do pessimismo entre os empresários, mas o cenário ainda inspira cautela.

"Se de um lado ampliam-se os sinais de que o auge da queda na curva de confiança tenha ficado para trás, de outro é possível perceber que há claro predomínio de uma percepção ainda muito negativa sobre o andamento dos negócios, expressa sobretudo na continuidade da intenção das empresas em prosseguir o ajuste do nível de emprego do setor às novas condições da demanda", diz o economista Silvio Sales, consultor da FGV, em nota.

Ao todo, 11 das 13 atividades investigadas tiveram alta na confiança na passagem do mês. O resultado geral foi determinado tanto pela percepção sobre o momento corrente quanto pelas expectativas em relação aos meses seguintes. É a primeira vez desde fevereiro de 2014 que há uma combinação favorável entre os dois componentes do índice.

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Em janeiro, o Índice de Situação Atual (ISA-S) teve alta de 4,3 pontos, para 70,0 pontos, após recuo de 0,4 ponto em dezembro. Já o Índice de Expectativas (IE-S) subiu 1,2 ponto, para 71,3 pontos, após aumento de 2,4 pontos na mesma base de comparação.

DEMANDA

A melhora na confiança do setor de serviços em janeiro foi impulsionada pelo maior otimismo dos empresários em relação à situação dos negócios no presente e no futuro. Por outro lado, as empresas continuam sinalizando que o nível de demanda está abaixo do desejado, o que mantém nos planos das companhias efetuar demissões, apontou a FGV.

Em janeiro, 26,8% dos empresários ouvidos pela instituição apontaram que planejam cortes de funcionários nos próximos três meses. A proporção dos que pretendem contratar é praticamente um terço disso: 9,1%.

A demanda reduzida é o principal obstáculo ao investimento, inclusive em pessoal. Reclamação crescente dos empresários desde o fim de 2014, a demanda insuficiente foi apontada como fator limitativo por 39,8% dos empresários neste mês. Em janeiro do ano passado, essa fatia era de 31,0%.

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É por conta desses resultados que a FGV recomenda cautela na análise dos dados da confiança deste mês. Por outro lado, a elevação foi puxada tanto pela percepção sobre a situação atual quanto sobre o futuro.

Em relação à situação atual, a melhora foi motivada por seus dois elementos, com destaque para o aumento em 5,6 pontos do indicador que mede o grau de satisfação dos empresários em relação à situação atual dos negócios.

Já a alta nas expectativas foi determinada pelo avanço em 2,6 pontos do indicador que mede o otimismo em relação à evolução da situação dos negócios nos seis meses seguintes.

INDÚSTRIA

Seguindo a mesma tendência, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 2,6 pontos em janeiro ante dezembro, passando de 75,4 para 78,0 pontos. De acordo com o resultado divulgado pela FGV, o índice alcançou o maior nível desde março de 2015.

O ICI, no entanto, ainda está 9,4 pontos abaixo do registrado no mesmo mês de 2014. Entre dezembro e janeiro, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 1,1 ponto porcentual, para 73,9%, o menor nível da série histórica, com início em 2001.

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A alta do ICI na margem se deve tanto à melhora das avaliações dos empresários sobre o atual momento quanto sobre o futuro. Dos 19 principais segmentos pesquisados, 12 registraram aumento da confiança no período. Na passagem de dezembro para janeiro, o ISA subiu 3,5 pontos, para 78,5 pontos, enquanto o IE avançou 1,6 ponto, para 77,9 pontos.

A maior contribuição para a evolução do ISA veio do item que sinaliza o nível de estoques, que passou de 121,6 para 117,3, indicando que menos empresas avaliam ter estoques excessivos. Este é o menor nível deste componente desde abril de 2015 (116,4 pontos). De acordo com a FGV, houve diminuição da proporção de empresas com estoques excessivos e aumento da parcela de empresas com estoques insuficientes no mês.

No âmbito do IE, a principal influência de alta foi do quesito que mede as expectativas de produção para os próximos três meses. O indicador avançou 2,8 pontos em relação a dezembro, para 80,2 pontos.

Na avaliação do superintendente adjunto para ciclos econômicos da FGV, Aloisio Campelo Jr., a alta mais expressiva do ICI em janeiro é reflexo de avanços no processo de normalização de estoques do setor, às custas da manutenção de níveis muito baixos de utilização da capacidade produtiva.

"Associado à percepção de estabilização do nível de demanda, este ajuste de estoques tem colaborado para reduzir o pessimismo, sugerindo um cenário de atenuação das taxas de queda da produção industrial nos próximos meses", analisou Campelo Jr.

*Foto: Estadão Conteúdo

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