Empresas estão endividadas e com dificuldades para obter crédito
Nos últimos quatro trimestres a inadimplência da pessoa jurídica avançou 8,1%. Temendo calotes, os bancos restringiram os empréstimos para esse público

A economia enfraquecida tem comprometido o caixa das empresas, que estão cada vez mais endividadas.
Levantamento feito pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) mostrou que a inadimplência da pessoa jurídica avançou 7,3% no terceiro trimestre do ano, na comparação com igual período do ano passado.
No longo prazo, de acordo com projeções da Boa Vista, a inadimplência deverá desacelerar um pouco. O resultado acumulado nos últimos quatro trimestres aponta uma alta de 8,1%.
Para Flávio Calife, economista-chefe da Boa Vista, as empresas sentem mais do que os consumidores o cenário de retração da economia. “Gerar receita nesse cenário é mais difícil, e os custos só estão aumentando. Isso gera um grande problema de caixa para as empresas”, comenta Calife
Com o aumento da inadimplência, cresceu também o risco de se emprestar dinheiro para as empresas. Por esse motivo as instituições financeiras passaram a restringir recursos para as pessoas jurídicas.
Atualmente, a dificuldade de acesso ao crédito é maior do que na crise financeira de 2008, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Foram pesquisadas 2.468 indústrias na primeira metade de outubro e se detectou que o indicador de acesso ao crédito recuou pelo sétimo mês seguido, atingindo 29,9 pontos em uma escala que varia de zero a 100. Quanto menor o índice, maior a dificuldade para obtenção de crédito.
A sondagem da CNI revelou também que os empresários estavam insatisfeitos com o lucro e a situação financeira no terceiro trimestre. O indicador de margem de lucro operacional ficou em 32,7 pontos, e o de satisfação financeira em 38,9 pontos.
EXPECTATIVAS
Apesar das incertezas econômicas, a CNI aponta sinais positivos, como a redução do excesso de estoques, que caiu de 53 para 51,6 pontos. Quanto mais próximo da linha divisória de 50 pontos, mais ajustados os estoques.
“O início de um processo de ajuste dos estoques é muito positivo, porque, se consolidado, abre caminho para o aumento futuro da produção”, diz Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da CNI.
Mas nem todas as perspectivas são positivas. A forte oscilação do dólar no ano fez com que a taxa de câmbio subisse do oitavo para o quarto lugar no ranking das principais preocupações do empresariado. A volatilidade do dólar inviabiliza a formação de preços e o planejamento das exportações.
A maior preocupação do setor industrial continua a ser, porém, a elevada carga tributária, de acordo com 44,9% das respostas, seguida pela demanda interna insuficiente (42,2%) e o alto custo da energia (29,4%).
*Com informações da Agência Brasil
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