Faturamento real da indústria cai 3,1% em abril
Houve recuo também no uso da capacidade instalada, que passou de 76,5% em abril ante 77,1%

No mesmo dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a atividade econômica voltou a crescer no primeiro trimestre, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) trouxe dados mais pessimistas em relação a abril.
De acordo com o estudo Indicadores Industriais, divulgado nesta quinta-feira, 1º de junho, o faturamento real da indústria caiu 3,1% no mês passado ante o mês anterior. As horas trabalhadas também recuaram 1,3%, enquanto o emprego no setor caiu 0,6%.
Houve recuo também no uso da capacidade instalada, que passou de 76,5% em abril ante 77,1% em março. A massa salarial recuou 0,4% no mês passado, mas o rendimento médio registrou alta de 0,5%.
Os indicadores do primeiro quadrimestre também registraram queda na comparação com o mesmo período de 2016. O faturamento ficou 7,8% menor nos primeiros quatro meses, enquanto as horas trabalhadas caíram 4%.
A utilização média da capacidade instalada foi 0,9 ponto porcentual menor nos primeiros quatro meses deste ano do que em igual período de 2016.
Já o emprego teve queda de 4,3% na mesma comparação, enquanto a massa salarial real acumula queda de 4,8%. O rendimento médio está 0,5% abaixo do registrado entre janeiro e abril de 2016.
PMI INDUSTRIAL
Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Brasil subiu para 52 pontos em maio comparativamente a abril, quando a variação tinha sido de 50,1 ponto. A constatação é da IHS Markit Brasil.
A graduação da atividade industrial brasileira no mês passado, de acordo com a base de dados da Markit, atingiu seu nível mais elevado desde fevereiro de 2013. Além disso, diz o relatório da instituição, o crescimento foi evidente em todos os três grupos de mercado monitorados.
Chama a atenção o volume de novos negócios, o maior subcomponente do PMI.
Ele se expandiu ao ritmo mais rápido em cinquenta e dois meses. Segundo os entrevistados, a recuperação dos registros de pedidos refletiu o fortalecimento das condições de demanda. Tendo caído em abril, o volume de novos pedidos para exportação cresceu em maio.
"Os entrevistados associaram esse fato principalmente a entradas mais fortes de novos negócios provenientes da Europa e da América do Sul", informa o relatório da Markit.
De acordo com os técnicos da Markit, o crescimento de novos projetos incentivou os fabricantes no Brasil a comprarem quantidades maiores de insumos para uso no processo de produção.
Os níveis de compra subiram modestamente, mas a um ritmo mais rápido em mais de três anos.
O aumento da produção em maio foi o terceiro em três meses, após um período de contração que durou mais de dois anos. Os participantes da pesquisa indicaram que a conclusão dos pedidos em atraso e os níveis crescentes de novos trabalhos sustentaram o aumento da produção. "De fato, a quantidade de negócios pendentes diminuiu ainda mais, com o ritmo de redução permanecendo acentuado", afirma o relatório.
Embora o nível de empregos tenha diminuído novamente em maio, a taxa de cortes de posições se atenuou atingindo o seu ponto mais lento na atual sequência de vinte e sete meses de redução.
Os fabricantes continuaram a indicar aumentos nas cargas de custos, embora a taxa de inflação tenha se atenuado. As evidências ressaltaram preços mais altos pagos por matérias-primas, em grande parte vinculados ao enfraquecimento do real em relação ao dólar.
Foram mencionados aumentos mais lentos nos custos de insumos em todos os três segmentos monitorados. Ao mesmo tempo, a inflação de preços cobrados no setor como um todo se acelerou, mas permaneceu branda apenas.
"Os fabricantes indicaram uma redução de seus estoques de produtos acabados, o que, segundo relatos, se deveu ao cumprimento de pedidos utilizando as reservas de mercadorias. Os estoques de insumos também caíram em maio", diz a Markit.
Por fim, as empresas esperam que investimentos, conquistas de novos clientes e reformas econômicas sustentem o crescimento da produção no próximo ano. Porém, o nível de sentimento positivo caiu, atingindo o seu ponto mais baixo até agora em 2017.
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