Fidel Castro, um dos mais longevos ditadores, morre aos 90

Ícone da esquerda mundial, sua trajetória política foi marcada por discursos quilométricos; líder da revolução cubana, visitou o Brasil seis vezes

Ansa
26/Nov/2016
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Fidel Castro, um dos mais longevos ditadores, morre aos 90

Líder da revolução cubana, que em 1959 derrubou o ditador Fulgêncio Batista, Fidel Alejandro Castro Ruz morreu anos 90 anos, confirmou na madrugada deste sábado (26/11) seu irmão e sucessor, Raúl Castro.

Em um anúncio na televisão, Raúl disse que era "com profunda dor" que confirmava a morte do comandante Fidel Castro Ruz, falecido às 10h29 de Havana do dia anterior.

"Em cumprimento da expressa vontade do companheiro Fidel, seus restos mortais serão cremados neste sábado, dia 26", afirmou Raúl, demonstrando emoção ao ler o breve comunicado.

Fidel Castro foi o herói histórico da esquerda moderna, o homem que mais desafiou os Estados Unidos.

Mas, para outras vertentes, era um ditador sanguinário e o culpado por isolar a ilha de Cuba por quase 60 anos de todo o mundo.

Conhecido como "Comandante" pelos cubanos, Fidel era personagem de várias histórias e boatos.

"Ele não dorme", "ele não esquece de nada", "é capaz de te penetrar com o olhar e descobrir quem você é".Sua trajetória política foi marcada por discursos quilométricos.

Fidel sempre teve uma saúde de ferro, até quando enfrentou uma hemorragia intestinal durante uma viagem à Argentina aos 80 anos de idade.

Em 31 de julho de 2006, os problemas de saúde provocados pelo avanço da idade o fizeram delegar temporariamente o poder a seu irmão Raúl.

Em fevereiro de 2008, Fidel renunciou oficialmente ao cargo de presidente cubano e, desde então, era o principal conselheiro do Partido Comunista e do novo governo.

Fidel fez seis visitas ao Brasil, a primeira delas em 1959, pouco após ser empossado como premiê de Cuba. Voltou em 1990 para a posse de Fernando Collor de Mello. Também compareceu às cerimônias de posse de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

A era Fidel Castro vem se dissolvendo pouco a pouco, enquanto uma nova Cuba surge devido a uma série de reformas econômicas e da retomada das relações bilaterais com os Estados Unidos, rompidas há mais de meio século.

Fidel assistia a tudo isso de longe, mas não deixava de fazer suas análises em artigos publicados no jornal oficial cubano Granma.

A fragilidade da sua saúde já tinha provocado boatos sobre sua morte nas redes sociais.

FOTO: André Dusek/Estadão Conteúdo

*Com Redação DC

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