Fome de votos

O quadro eleitoral de hoje indica que nenhum pré-candidato, de qualquer partido, pode dizer que ganha a eleição, com uma razoável margem de segurança

Eymar Mascaro
05/Out/2015
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Com baixo índice de intenção de voto nas pesquisas, que ainda intranquiliza o PT e suas principais lideranças, o prefeito Fernando Haddad corre um risco muito grande de perder a reeleição no ano que vem, mesmo sustentado pelo apoio sempre importante do ex-presidente Lula.

Se a previsão dos mais pessimistas se concretizar, entendendo que o prefeito pode perder a reeleição, surge, então, a inevitável pergunta: quem vai ganhar? Haddad perde para quem? O quadro eleitoral de hoje indica que nenhum pré-candidato, de qualquer partido, pode dizer que ganha a eleição, com uma razoável margem de segurança.

Por enquanto, o cenário da próxima eleição na capital paulista, é uma incógnita. Nenhum partido dispõe de pré-candidato que possa ser apontado como favorito, nem que arregimentaria o índice mínimo de votos necessário dos cerca de 10 milhões de eleitores na cidade, para se eleger prefeito de São Paulo. Todos os demais pré-candidatos estão na mesma situação de Haddad.

O principal adversário do PT nas eleições para a Prefeitura paulistana, nos último anos, tem sido o PSDB, e vice-versa. Mas, quem, entre os tucanos, por enquanto, está em condições atuais para reconquistar a mais importante Prefeitura do país para o seu partido?

O mais capacitado seria ainda José Serra, mas o senador não pretende interromper o mandato no Congresso conquistado no ano passado, para concorrer em nova eleição. Serra é cotado para ser o candidato do PMDB à presidência da República, em 2018.

A exemplo do PT, os tucanos que estão se apresentando com disposição para encarar a dura jornada, no ano que vem, ainda não dispõem de reservas de votos suficientes para ganhar a eleição. São eles: Bruno Covas e Zuzinha, neto e filho de Mário Covas, respectivamente; o vereador Andrea Matarazzo, o suplente de senador José Aníbal e o eterno deputado Ricardo Trípoli, todos ainda com índices de votos  para se eleger apenas para as casas legislativas e não para prefeito de São Paulo.

Ultimamente, até o empresário ainda desconhecido do povão, João Dória, se fantasiou de prefeiturável pelo PSDB, esperando pelo incerto apoio do governador Geraldo Alckmin. Na largada, João Dória tem recebido as benesses do governador, pois o Estado liberou para ele verbas publicitárias cobiçadas para serem aplicadas na divulgação de realizações do governo nas revistas de sua propriedade.

A candidatura de Marta Suplicy pelo PMDB, por outro lado, também é uma incerteza, porque ela disputaria uma eleição, pela primeira vez, sem os apoios do PT, de Lula e de seu ex-marido, Eduardo Suplicy.

Seu novo partido, o PMDB, estaria em condições de dar a ela os votos que o PT dava, para se eleger prefeita, como ocorreu na eleição em que derrotou Paulo Maluf? Para ser candidata pelo PMDB, Marta ainda vai precisar tirar de seu caminho Gabriel Chalita, que também se coloca à disposição do partido para concorrer à sucessão de Fernando Haddad.

Desde que anunciou sua saída do PT e também depois de ingressar no PMDB, Marta Suplicy tem centralizado fortes críticas na presidente Dilma Rousseff.

Segundo petistas, no entanto,ela corre sério risco de "ser desmascarada" se o PT exibir na teleivisão a reprise de filmes em que Marta discursa e elogia a mesma presidente Dilma, no tempo em que foi sua ministro da Cultura. "Marta está cuspindo para cima e o cuspe pode cair na sua cara" -acrescentam os petistas.

Quanto a Celso Russomano, que já anunciou que concorrerá à Prefeitura pelo PRB, pode ser apontado como o pré-candidato  com mais chance de crescer: na eleição do ano passado, por exemplo, ele obteve mais de 1 milhão de votos para a Câmara dos Deputados. Resta saber se a defesa do consumidor que ele faz em seu programa diário na TV Record seria suficiente para levá-lo à Prefeitura.

As novidades de hoje, porém, são as tentativas de lançamento das candidaturas de outro apresentador de TV, Luíz Datena (Band), e do deputado Marco Feliciano, que aposta todas as fichas no importante apoio dos evangélicos.

O deputado, no entanto, já comprou uma briga de gente grande com os gays, lésbicas e outras derivações no gênero, e tem sido duramente criticado por sua "doentia homofobia". Marco Feliciano é o mesmo deputado que expulsou de uma igreja evangélica duas moças que assistiam à sua pregação religiosa enquanto se beijavam na boca.

Qualquer pesquisa de opinião feita atualmente apontará como líderes na escala preferencial dos eleitores os dois jornalistas-âncoras de televisão, Datena e Russomano, devido às suas aparições diárias na telinha. Mas, quando todos os demais candidatos tiverem o mesmo direito de fazer propaganda na TV, podem ocorrer modificações significativas nas pesquisas.

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