Ghosn é suspeito de desvio de dinheiro para compra de imóvel no Rio
Para se chegar à revelação contra o executivo (ao centro na foto), funcionários da Nissan usaram uma nova lei no Japão que permite o mecanismo da delação premiada

O empresário que há quase duas décadas ajudou a orquestrar a união entre a francesa Renault e a japonesa Nissan foi preso nessa segunda-feira (19/11), em Tóquio.
Nesta terça-feira, 20, o jornal japonês Nikkei revelou parte das investigações que apontam para a suspeita de que a Nissan Motors teria criado uma afiliada na Holanda e que, a partir dessa unidade, US$ 17,8 milhões foram pagos em dois imóveis de luxo, no Rio e no Líbano.
De acordo com o jornal, a subsidiária holandesa foi criada em 2010, com um capital de US$ 53 milhões. O dinheiro seria usado para investimentos.
Para se chegar a essas informações, funcionários da Nissan usaram uma nova lei no Japão que permite o mecanismo da delação premiada. Ela foi introduzida em junho e o caso do brasileiro é apenas o segundo a envolver o novo mecanismo.
O jornal japonês informa ainda que os dois imóveis adquiridos a partir da unidade holandesa da Nissan eram para o uso de Ghosn.
Além disso, cabia à empresa pagar por custos de manutenção e eventuais renovações. No total, estima-se que os gastos teriam chegado a 2 bilhões de ienes.
Ghosn passou sua infância no Rio e depois se mudou para Beirute, onde terminou o colegial. No Líbano, a Nissan não conta com qualquer tipo de operação de grande escala.
IMAGEM: Divulgação/Grupo Renault

