Governo enfatiza nos EUA segurança jurídica em concessões

Mas alguns empresários americanos saíram frustrados do encontro com a falta de detalhes sobre a estruturação dos projetos e os efeitos das concessões feitas nos governos anteriores

Estadão Conteúdo
20/Set/2016
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Governo enfatiza nos EUA segurança jurídica em concessões

Investidores dos Estados Unidos que participaram nesta segunda-feira (19/09) de reuniões reservadas com ministros do presidente Michel Temer em Nova York para apresentar o programa de concessões fizeram uma avaliação positiva das conversas, elogiando mudanças propostas pelo governo brasileiro.

Eles ressaltaram, porém, que faltam detalhes sobre alguns dos projetos previstos para ir a leilão e mostraram preocupação com os programas anteriores.

Um ponto positivo destacado pelos investidores é que os ministros de Temer ressaltaram que o programa de concessões vai ajudar o ajuste fiscal brasileiro.

"O maior problema econômico do Brasil é o ajuste fiscal e sem ele não vamos chegar a lugar nenhum. A taxa de juros não cai", afirmou a jornalistas o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco.

O ministro disse que o objetivo do governo é mostrar que o ambiente econômico e de regras no Brasil está mudando.

Os projetos de infraestrutura terão segurança jurídica e previsibilidade. "Não queremos fazer pirotecnia com as concessões", afirmou. "Estamos buscando dar previsibilidade. Temos feito esforço para garantir o ambiente de concorrência."

As conversas foram organizadas no elegante hotel Plaza Athénée, onde Temer está hospedado, pelo Citigroup e Bank of America. Há uma nova rodada de conversas nestas terça e quarta-feira, o presidente tem reunião reservada com empresários e depois discursará em almoço com analistas de Wall Street.

CAPITAL EXTERNO

Um dos participantes frisou como ponto positivo a intenção do governo de reduzir a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento das obras de infraestrutura.

Segundo este gestor de um grande banco dos EUA, o governo falou que a intenção é reduzir para a casa de 50% a fatia da instituição pública e buscar o restante no mercado de capitais, incluindo o internacional.

No modelo de concessão do governo anterior, a maior parte do financiamento ficava com o BNDES, com juros subsidiados, e os estrangeiros tinham pouco espaço para entrar com capital.

Os investidores elogiaram a intenção do governo de deixar as taxas de rentabilidade serem definidas pelo mercado.

Mas alguns participantes saíram frustrados do encontro com a falta de detalhes sobre a estruturação dos projetos e os efeitos das concessões feitas nos governos anteriores.

"É claro que a instabilidade preocupa. A confiança é a base do jogo. Estamos remodelando os programas para os problemas que aconteceram nas primeiras concessões não aconteçam nesta", disse o ministro dos Transportes, Maurício Quintella.

IMPEACHMENT

Os ministros de Temer, disseram os presentes, mencionaram nas apresentações o momento de transição da economia.

O governo se esforçou para reforçar o compromisso com a segurança jurídica. "Nas conversas se falou mais do momento de transição do que do passado recente", disse um gestor de um fundo em Wall Street ao ser questionado se o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi discutido.

FOTO: Beto Barata/Agência Brasil

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